Paulo Henrique Ferreira, sócio-fundador e Diretor-Executivo da Barões Brand Publishing, publicou dois artigos neste início de dezembro nos portais Mobile Time e Meio & Mensagem, analisando as transformações provocadas pela inteligência artificial nos negócios e suas implicações para o Brand Publishing.
Os textos resultaram de sua participação em um curso na Columbia Business School sobre IA, coordenado pelo professor e neurocientista Moran Cerf, e revelam oportunidades estratégicas para organizações que desenvolvem conteúdos proprietários.
Em seus artigos, PH Ferreira identifica seis pilares que sustentam o ecossistema de IA: hardware, software, dados, pessoas, pesquisa e energia. E entre esses elementos, o executivo destaca o papel dos dados como área de maior potencial para organizações brasileiras, especialmente no contexto do Brand Publishing.

Dados como diferencial competitivo na era da IA
“Para estarem no mapa da geopolítica de IA, as marcas vão ter que pensar em si mesmas como ‘base de conhecimento'”, explica PH Ferreira em seu artigo para o Meio & Mensagem. Segundo sua análise, o Brand Publishing emerge como fator fundamental para organizações que buscam se tornar destinos editoriais confiáveis, não apenas para humanos, mas também para algoritmos.
O conceito de “LLM seeding” ganha relevância nesse contexto. A prática consiste em posicionar-se como base de conhecimento, com plataformas bem configuradas e critérios claros de qualidade para “ensinar” as aplicações de inteligência artificial. Ferreira cita exemplos de acordos entre Quora, NYT e Palantir com Amazon, OpenAI e outras LLMs como movimentos que ilustram essa tendência.
Ao disponibilizar informações relevantes e estruturadas para suas audiências, uma marca se tornará base de consulta da IA, cujas aplicações ensejam um novo comportamento de pessoas e algoritmos
A tecnologia permanente e suas implicações
Em seu artigo para o Mobile Time, PH Ferreira explora o conceito de “tecnologia permanente” apresentado pelo professor Hod Lipson. Diferentemente da internet móvel, que pode ser desligada quando o usuário desativa o smartphone, a inteligência artificial opera continuamente em laboratórios, pesquisas científicas, sistemas de mobilidade urbana e infraestrutura de cidades inteligentes.
“A IA funciona mesmo quando não interagimos com ela. Em muitos casos, mesmo quando não sabemos que ela está ali”, observa Ferreira. Essa característica transforma a IA em uma camada contínua da vida humana, alterando conceitos de privacidade, autonomia, regulação e segurança.
O executivo estabelece um paralelo histórico: “Se a mobilidade tornou a internet onipresente, a inteligência artificial está inaugurando algo novo: a tecnologia permanente”. Essa permanência tem implicações diretas para qualquer serviço digital que dependa de mobilidade, conectividade e análise de dados.
Oportunidades para o mercado brasileiro
Apesar de o Brasil não ter sido mencionado no mapeamento geopolítico da IA apresentado no curso, o executivo da Barões identifica oportunidades significativas no pilar de dados, especialmente para conteúdos em língua portuguesa.
A ausência do país no levantamento, mesmo em áreas como energia renovável onde possui expertise reconhecida, evidencia a necessidade de posicionamento estratégico.
“Em uma sociedade soterrada por ruídos e desinformação, o Brand Publishing por si só é fundamental”, argumenta PH Ferreira em seus artigos.
Segundo sua visão, a forma de consumo de conteúdo mudou e apenas a imprensa tradicional não possui recursos para cobrir pautas setoriais com estabilidade e profundidade adequadas.
Comunicação informativa x persuasiva
PH Ferreira destaca uma mudança no paradigma comunicacional: “A comunicação informativa das marcas é mais demandada (e necessária) que a comunicação persuasiva”. Essa transformação se intensifica com o estabelecimento do ecossistema de IA, tornando as bases editoriais proprietárias imprescindíveis.
As organizações que desenvolvem ativos editoriais proprietários relevantes passam a atender uma audiência que busca informações especializadas e contextualizadas, disponíveis em plataformas com procedência e autoridade. Esses atributos, segundo o autor dos artigos, somente organizações líderes em seus campos de conhecimento têm capacidade de entregar.
A análise apresentada por Paulo Henrique Ferreira em seus artigos revela como o Brand Publishing se posiciona na intersecção entre a necessidade crescente de informação qualificada e o desenvolvimento de sistemas de IA que dependem de bases de conhecimento estruturadas. Para organizações que buscam relevância no novo ecossistema digital, a produção de conteúdo proprietário deixa de ser uma opção estratégica para se tornar uma necessidade competitiva.
Dúvidas mais comuns
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Brand publishing é a estratégia de comunicação que torna as marcas donas de seus próprios canais de mídia, permitindo que se posicionem como bases de conhecimento confiáveis. Na era da inteligência artificial, o brand publishing ganha importância estratégica ao fornecer conteúdos proprietários estruturados que servem como base de conhecimento para algoritmos e aplicações de IA, transformando a marca em um destino editorial de referência tanto para humanos quanto para máquinas.
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De acordo com a análise de Paulo Henrique Ferreira, os seis pilares que sustentam o ecossistema de IA são: hardware, software, dados, pessoas, pesquisa e energia. Entre esses elementos, os dados emergem como a área de maior potencial para organizações brasileiras, especialmente no contexto do brand publishing, pois representam um diferencial competitivo significativo.
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LLM seeding é a prática de posicionar uma marca como base de conhecimento estruturada, com plataformas bem configuradas e critérios claros de qualidade, para 'ensinar' as aplicações de inteligência artificial. Essa estratégia envolve disponibilizar informações relevantes e estruturadas que tornam a marca uma base de consulta preferencial para os algoritmos, exemplificada por acordos entre empresas como Quora, NYT e Palantir com Amazon e OpenAI.
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Tecnologia permanente é um conceito que descreve como a inteligência artificial opera continuamente em laboratórios, pesquisas científicas, sistemas de mobilidade urbana e infraestrutura de cidades inteligentes, mesmo quando não há interação direta do usuário. Diferentemente da internet móvel, que pode ser desligada quando o usuário desativa o smartphone, a IA funciona permanentemente como uma camada contínua da vida humana, alterando conceitos de privacidade, autonomia, regulação e segurança.
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Para estarem no mapa da geopolítica de IA, as marcas precisam pensar em si mesmas como 'bases de conhecimento'. O brand publishing emerge como fator fundamental para organizações que buscam se tornar destinos editoriais confiáveis, especialmente em contextos como o Brasil, onde há oportunidades significativas no pilar de dados, particularmente para conteúdos em língua portuguesa que ainda são subutilizados pelos sistemas de IA.
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A comunicação informativa das marcas é mais demandada e necessária que a comunicação persuasiva na era da IA. Essa transformação se intensifica com o estabelecimento do ecossistema de IA, tornando as bases editoriais proprietárias imprescindíveis. As organizações que desenvolvem ativos editoriais relevantes passam a atender uma audiência que busca informações especializadas e contextualizadas, disponíveis em plataformas com procedência e autoridade.
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O brand publishing se torna necessidade competitiva porque em uma sociedade soterrada por ruídos e desinformação, apenas a imprensa tradicional não possui recursos para cobrir pautas setoriais com estabilidade e profundidade adequadas. Com o desenvolvimento de sistemas de IA que dependem de bases de conhecimento estruturadas, as organizações que produzem conteúdo proprietário relevante ganham vantagem competitiva ao se posicionarem como fontes confiáveis de informação especializada para algoritmos e usuários.
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Apesar de o Brasil não ter sido mencionado no mapeamento geopolítico da IA, o país possui oportunidades significativas no pilar de dados, especialmente para conteúdos em língua portuguesa. A ausência do Brasil no levantamento, mesmo em áreas como energia renovável onde possui expertise reconhecida, evidencia a necessidade de posicionamento estratégico através do brand publishing, permitindo que marcas brasileiras se tornem bases de conhecimento relevantes para sistemas de IA globais.