Barões
Edvaldo Silva

Transição midiática e a revolução do streaming são temas de novo livro de Edvaldo Silva

Autor é o atual diretor da ZEFR na América Latina e acaba de lançar o primeiro livro nacional sobre a temática

10 de maio de 2022

Os 20 anos de experiência no universo das mídias digitais e um currículo pesado sustentam e dão credibilidade para Edvaldo Silva contar, em seu novo livro, como o advento do streaming mudou o consumo do entretenimento no mundo e no Brasil. Em “Da válvula ao pixel – A revolução do streaming” (Lisbon Press) o escritor e atual diretor da ZEFR na América Latina – empresa líder global em Brand Suitability e Brand Safety nas principais plataformas de vídeo como TikTok, YouTube e Facebook – também discorre sobre o que é precisa levar em consideração para não deixar as oportunidades passarem nesses meios.

Origens e cases de impacto do streaming

Na obra, o autor aprofunda o contexto da transição midiática e tecnológica, que abriu espaço para revolução na produção, consumo e distribuição do conteúdo audiovisual e, consequentemente, o surgimento de empresas como a Netflix, Amazon Prime, HBO, Disney+, Globo Play, entre outras.

Um dos exemplos nacionais da ascensão do streaming no Brasil citados por Edvaldo é a transmissão pela TV Oi, do Rio de Janeiro, da série transmídia “Castigo Final” – a produção concorreu na categoria Internacional Digital na edição dos prêmios de 2010 do Emmy.

Outro impacto nacional destacado pelo autor é mudança no tipo de contrato da Rede Globo, que passou a seguir o mesmo tipo de contratação da Netflix.

Entrevista com o autor

Além de servir aos interessados em saber a origem dos principais streamings, “Da válvula ao pixel” traz para estudantes e profissionais de marketing, publicidade, jornalismo e comunicação um registro sobre a transformação digital das últimas décadas.

Confira a entrevista que fizemos com Edvaldo Silva:

Quais foram as motivações para escrever “Da válvula ao pixel”?

Edvaldo: Escrevi este livro, tendo como base minhas vivências acadêmicas e profissionais ao longo dos últimos vinte anos e queria dar uma visão brasileira para um tema global e tão importante como a revolução comunicacional e comportamental que estamos vivendo. Existem já alguns autores americanos e europeus que tratam do assunto da revolução do streaming, mas eu senti falta de um recorte nosso. Neste livro exploro o tema da convergência das mídias e como a evolução tecnológica está mudando drasticamente as diversas formas de produzir e consumir conteúdos audiovisuais, com exemplos e cases nacionais importantes.

Henry Jenkins e Lúcia Santaella são algumas das referências que você usa ao longo do livro. Como foi o processo de pesquisa para a obra?

Edvaldo: Aqui busquei ter como pilares conceituais Henry Jenkins, americano e um dos grandes nomes quando se fala em transmídia e esse novo mundo da Comunicação, dialogando lado a lado com Lucia Santaella, brasileira e uma das principais pensadoras e divulgadoras da semiótica no Brasil. Com essa base teórica fundamento a minha vivência profissional em casos nacionais como o seriado multiplataforma, luso-brasileiro e lançado pela TV Oi do Rio de Janeiro, chamado “O Castigo Final”.

Na sua avaliação, quais são as novas oportunidades referentes ao conteúdo audiovisual que os profissionais do meio devem ficar atentos? O que vem pela frente?

Edvaldo: Convergência é divergência. As mídias convergem e se espalham, ou seja, há uma interseção de todas elas: rádio, televisão, jornal, cinema, internet. O universo digital é, mutante e tem evoluído com cada vez mais rapidez. Essa evolução está sempre atrelada às novas tecnologias e é imprescindível que os profissionais do setor reflitam sobre tais mudanças e que estejam sempre atentos para as novas formas de consumo de entretenimento e principalmente como contar boas histórias nas diversas plataformas disponíveis. Antes de mais nada temos que ser ótimos leitores, ouvintes atentos e principalmente excelentes contadores de histórias. Desde os tempos em que o ser humano se aninhava em volta de uma fogueira para contar suas caçadas em buscas dos mamutes ou as fugas dos dentes de sabre que amamos uma boa história.

Você acredita que a TV tradicional como é conhecida já está morrendo e vai mudar de maneira significativa cada vez mais. Na sua visão, como será a TV no futuro?

Edvaldo: A TV como é conhecida está sofrendo uma transformação gigantesca. Tivemos em abril de 2022 a transmissão ao vivo pelo Youtube da final do Campeonato Paulista, com uma qualidade excepcional do time de narradores e anunciantes de peso e para um público de mais de 1 milhão de pessoas em todo Brasil interagindo e comentando a partida. Isso é um marco importantíssimo na TV brasileira e importantes redes nacionais como a Globo estão se mexendo rapidamente para enfrentar esse desafio. Nossa Vênus Platinada com seu Globo Play vem fazendo muito bem essa transição, colocando praticamente tudo no seu aplicativo via streaming e fazendo muita publicidade para ganhar novos assinantes para o aplicativo. O que quero dizer com isso é que a TV tradicional já morreu – só que ela ainda não sabe totalmente disso – e dela está nascendo uma nova TV multiplataforma, transmidiática, via streaming e na palma da sua mão.

Sobre Edvaldo Silva

Além de seu atual cargo na ZEFR, Edvaldo é mestre em Artes e Multimeios pela UNICAMP, pós-graduado em Publicidade e Propaganda pela ECA/USP, professor do MBA da Business School São Paulo/Laureate International. O autor ganhou os prêmios Tela Viva Móvel, em 2009, iBest, em 2005, e foi fundador e Presidente do Comitê de Adtech & Data do Interactive Advertising Bureau (2011-2012).

Edvaldo começou sua trajetória profissional em 1998 na Editora Peixes (empresa parte do Grupo Abril), época em que foi responsável pelo lançamento de todas as revistas da editora no Uol, maior portal de internet da América Latina e nunca mais saiu desta indústria tendo ocupado outras posições importantes em empresas como Movile, FOX TV (Disney) e Terra Networks (Grupo Telefônica).

No meio literário, Edvaldo também é co-autor de “Mídia Programática”, primeiro livro sobre o tema no Brasil, lançado pelo Interactive Advertising Bureau, e colaborador do livro “Avanca Cinema 2011”, lançado pela Universidade de Aveiro/Portugal, com as principais teses sobre o setor audiovisual.

Ficha técnica:

Título: “Da válvula ao pixel – A revolução do streaming”
Autor:
 Edvaldo Silva
Editora: Lisbon Press
Número de páginas: 108
ISBN:  978-989-37-3102-4
Formato: 14 x 22 cm