“O conteúdo não pode mais existir só para gerar clique. Ele precisa ajudar as pessoas a realmente tomar decisões, resolver um problema, ganhar confiança na sua marca”. A frase é de Marília Terra, coordenadora de SEO e Growth Marketing do QuintoAndar, e foi dita no quarto talk da tarde do ANER Summit 2026. A plateia aplaudiu e Sabrina Passos, mediadora do evento, brincou que ia estampar numa camiseta.
Durante o talk “Escrevendo para Humanos, Ranqueando para IAs”, realizado no Auditório da ESPM Tech, a representante do QuintioAndar destacou a mudança de paradigma na produção de conteúdo digital diante das transformações promovidas pela inteligência artificial, especialmente nas buscas via Large Language Models (LLMs) e no Google.
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O fim do SEO? Pelo contrário
A chegada das LLMs e, especialmente, do AI Overview do Google, o resumo gerado por IA que aparece no topo das pesquisas, provocou uma onda de pânico no mercado de SEO. Marília foi direta ao ponto: “o SEO não acabou”. Mas, segundo ela, mudou de forma relevante, e entender essa diferença é o que separa quem vai surfar a onda de quem vai se afogar.
De acordo com Marília, por anos, o trabalho de SEO foi, em grande medida, escrever para algoritmos tentando parecer humano. O conteúdo era otimizado para encaixar palavras-chave, acumular volume, ranquear bem nos buscadores. A chegada das LLMs inverteu a lógica:
“Agora a gente tem que escrever para humanos de um jeito que as IAs entendam e prefiram usar o nosso conteúdo como referência”, disse a especialista.
A distinção parece sutil, mas não é. Escrever para algoritmos levou boa parte do mercado a produzir conteúdo que ninguém queria ler. Escrever para humanos de verdade, com clareza, contexto, linguagem natural e utilidade real, resulta em conteúdo que as IAs também conseguem interpretar e citar. O destino final, lembrou Marília, continua sendo uma pessoa com uma dúvida, um problema ou uma decisão a tomar.
No fim do processo ainda tem alguém tentando tirar uma dúvida, resolver um problema, aprender alguma coisa
E os pilares clássicos do SEO, como a publicação constante, atualização de conteúdo, estrutura clara, bom suporte técnico, seguem valendo, de acordo com a especialista.
“As IAs vão precisar buscar essas informações de algum lugar. E a grande hipótese é que elas se alimentam dos primeiros resultados orgânicos que apareceriam no Google”, afirmou Marília.
QuintoAndar e o AI Overview
Marília trouxe um dado concreto para ancorar a tese. De acordo com levantamento da SEMrush, cerca de 70% do tráfego gerado pelo AI Overview entre os principais players do mercado imobiliário vai para o QuintoAndar. O resultado, segundo ela, não é fruto de nenhuma virada repentina de estratégia para “otimizar para IA”. É consequência de anos de trabalho consistente de produção e estruturação de conteúdo, em parceria com a Barões Brand Publishing.
“A gente mantém um fluxo de publicação, otimizações, revisões de conteúdo e atualizações de estrutura de forma muito consistente. Então, mesmo com a chegada das LLMs, a base que a gente construiu ao longo dos anos continuou sustentando os resultados”, disse Marília.
O QuintoAndar também desenvolveu ferramentas próprias para se adaptar ao novo cenário. Uma delas gera resumos automáticos no início de cada matéria, facilitando a leitura tanto para humanos quanto para IAs. Outra identifica as perguntas mais feitas sobre determinado tema e gera seções de FAQ estruturadas no conteúdo.
Se você facilita para um, você facilita para o outro também
De gerador de tráfego a estratégia de negócio
A mudança mais profunda que Marília descreveu não é técnica, é conceitual. O SEO deixou de ser uma ferramenta para gerar tráfego e passou a ser uma estratégia para entender comportamento.
Antes, o trabalho girava em torno de volume de busca por palavras-chave. Hoje, com as LLMs, é possível entender a intenção por trás de cada pesquisa, as dúvidas relacionadas, a etapa da jornada do usuário, a forma como as pessoas formulam perguntas e fazem comparações.
“A IA ajuda a identificar esses padrões de uma forma muito mais fácil. E com isso a gente pode cruzar dados de buscas com comportamento no site, ajustar réguas de CRM, e até informar decisões de produto”, afirmou Marília.
É SEO como inteligência de negócio. E o conteúdo, nessa lógica, é o instrumento, não o fim, segundo a especialista.
O pulo do gato não é produzir mais
A representante do QuintoAndar encerrou sua fala com uma provocação que resumiu bem o tom do talk. O pulo do gato na era das LLMs não é automatizar a produção de conteúdo em escala. Isso qualquer um consegue fazer com alguma dedicação. Relevância, essa sim, ainda depende de entender pessoas.
Automatizar a produção de conteúdo em escala é relativamente fácil. Mas relevância ainda depende de você entender pessoas. Talvez o futuro do conteúdo não seja a gente escrever para as máquinas. Talvez seja a gente finalmente voltar a escrever melhor para as pessoas.