A revista Exame apresentou no Aner Summit 2026 o projeto Prisma, sistema que permite a cada jornalista da redação treinar seu próprio assistente de inteligência artificial. O diretor de redação Lucas Amorim e o estrategista de transformação digital Sérgio Maria detalharam a iniciativa durante o primeiro talk da tarde do evento, que acontece no Auditório da ESPM Tech, na Vila Mariana, em São Paulo.
O Brand Publishing Brasil, media partner do evento, acompanhou a programação completa do Aner Summit, cobrindo os painéis e talks sobre oportunidades e desafios da inteligência artificial no mercado editorial.
Veja o vídeo completo com todos os painéis e talks
Da coautoria ao assistente personalizado
O desenvolvimento do Prisma passou por diferentes fases de experimentação. Inicialmente, a Exame testou a IA como coautora de matérias através do Niabot, que chegou a gerar 3 milhões de page views mensais em editorias como esporte e clima.
“A gente criou o Niabot, isso foi 2024. Era um autor, ele passou a ser um autor, tinha os 40 jornalistas da redação e o Nabot era o 41º, era um teste de coalutoria de matérias”, explicou Amorim durante o talk.
A experiência revelou limitações importantes. Segundo o diretor de redação, matérias coassinadas por IA recebiam menor relevância dos buscadores, especialmente quando o conteúdo era mais simples e público.
Como funciona o sistema Prisma
O projeto atual permite que cada jornalista desenvolva um assistente personalizado conforme suas necessidades específicas. O sistema aprende o estilo de escrita do profissional e as bases de dados que ele utiliza regularmente.
“Jornalista de estilo de vida é muito diferente de um jornalista cobre finanças. Isso faz muito sentido que o robô aprenda com aquilo que ele pesquisa, com que ele busca, com os dados que ele precisa”, detalhou Amorim.
O assistente oferece funcionalidades como sugestão de pautas baseadas no histórico de pesquisas e publicações, auxílio na otimização de matérias para SEO, geração de textos complementares e consolidação de conteúdos sobre temas específicos.
Governança e coordenação como pilares
Sérgio Maria enfatizou a importância da governança na implementação de IA em redações. Ele citou a Lei de Goodhart, que estabelece que “quando a métrica vira a meta, ela deixa de ser uma boa métrica”, alertando para os riscos de perseguir apenas métricas de engajamento.
“Uma IA sem governança, ela é uma IA desgovernada e a gente tem muita IA desgovernada por aí. Aplicação de IA, a gente tem que 98% é planejamento, 2% a gente executa”, destacou o estrategista.
Maria também observou que muitos veículos enfrentam “falta de coordenação e uma boa intenção descoordenada”, com diferentes áreas tentando resolver problemas de forma isolada.
Aprendizados e próximos passos
A Exame reduziu de 70 para aproximadamente 10 ferramentas de IA em uso, priorizando aquelas que demonstraram maior eficácia. O processo mantém o jornalista como responsável final pelo conteúdo, posicionando a IA como ferramenta de apoio à decisão.
“O jornalista ele não só é o selo de confiança, como ele tem que dar cada vez mais a cara dele. A gente vem aprendendo isso, que quanto mais personalizado for o conteúdo, com a cara do jornalista e do veículo, melhor”, concluiu Amorim.