O jornalismo técnico enfrenta um momento de redefinição com o avanço das inteligências artificiais. Durante o ANER Summit, realizado no dia 28 de maio no Auditório da ESPM Tech, em São Paulo, Rodrigo Santos, editor da Barões Brand Publishing, apresentou o conceito de Strong News como resposta aos desafios da produção de conteúdo na era das LLMs (Large Language Models).

O portal Brand Publishing Brasil, media partner do evento, acompanhou todos os painéis e talks ao longo do dia, registrando discussões sobre o futuro da comunicação corporativa e do jornalismo especializado.

Veja o vídeo completo com todos os painéis e talks

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O conceito de Strong News aplicado ao jornalismo B2B

Rodrigo Santos define Strong News como “jornalismo bem feito e aplicado”, especialmente voltado para mercados técnicos e segmentados. “Quando a gente fala de mercados técnicos, a gente entra numa outra camada que além da informação a gente ajuda indústrias a tomarem decisões”, explicou o editor durante sua apresentação.

O conceito se baseia na produção de conteúdo relevante e seguro para alimentar modelos de linguagem de forma confiável. Segundo Santos, o jornalismo setorial representa uma “segunda camada” de informação: após explicar o que é determinado assunto, desce ao detalhe para encontrar tecnologias e soluções específicas para cada indústria.

Background humano como diferencial insubstituível

O palestrante alertou para um equívoco comum na implementação de IA em redações: a crença de que a tecnologia pode substituir completamente o trabalho jornalístico.

“Sem background, as IAs não vão ajudar os problemas das empresas”, citou Santos, referenciando conversa com líderes de segurança da informação.

Leia artigo de Rodrigo Santos sobre o tema: Sem background, a IA não resolve os “puts” do jornalismo

A questão central apresentada foi o desequilíbrio entre input e output na produção de conteúdo. Santos comparou o processo a uma fábrica:

Não adianta ter uma produção imensa de conteúdo dentro de uma redação. E você vai publicar onde? Para quem?

Dados da Red Corporation mencionados durante a palestra indicam que 80% das empresas que aplicaram IA não obtiveram resultado produtivo satisfatório, justamente por ampliar a produção sem considerar as limitações de distribuição e estratégia editorial.

A essência da observação jornalística

Para fundamentar sua argumentação sobre a importância do elemento humano, Santos recorreu à etimologia da palavra jornalista, que vem do latim “diurnalis”, ou observador diário.

A gente como jornalista tem uma missão e uma qualidade que é a de observação.

O editor questionou a possibilidade de IAs replicarem completamente o trabalho de grandes escritores como Gore Vidal, argumentando que a máquina pode processar textos e padrões, mas não possui a capacidade de observação e o repertório necessário para criar histórias originais.

Desafios das pequenas mídias técnicas

Santos reconheceu as dificuldades enfrentadas pelas pequenas mídias, mas manteve postura otimista baseada na relevância da informação técnica. “Eu sou otimista porque a gente produz informação relevante”, afirmou, destacando que o jornalismo setorial ajuda indústrias na tomada de decisões estratégicas.

O palestrante defendeu que quando o conhecimento especializado conseguir alimentar adequadamente os sistemas de busca baseados em IA, isso beneficiará não apenas as empresas, mas a economia brasileira como um todo.

Integração equilibrada entre humano e máquina

A proposta apresentada no ANER Summit não rejeita o uso de inteligência artificial, mas defende sua aplicação equilibrada. Santos exemplificou como a tecnologia pode auxiliar na transcrição e estruturação de conteúdo, mas sempre a partir de um input humano qualificado.

“Nós não somos digitadores. Posso falar para a máquina escrever, mas só vai escrever porque eu falei. Ela não vai ter as ideias que eu tive”, concluiu o editor, reforçando que o diferencial do jornalismo reside na capacidade humana de observação e interpretação da realidade.

O debate sobre Strong News e LLMs integrou a programação do ANER Summit como parte das discussões sobre o futuro do jornalismo e da comunicação corporativa, temas centrais para profissionais que buscam adaptar suas práticas às transformações tecnológicas sem perder a essência editorial.

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