Uma declaração recente da atriz e apresentadora britânica Jameela Jamil acende um alerta sobre o fenômeno do “second screen viewing” (“visualização de segunda tela”). De acordo com ela, roteiristas e diretores estão sendo instruídos pelos grandes estúdios a simplificar radicalmente suas obras. A lógica é sombria: como o espectador está com os olhos grudados no celular enquanto a TV está ligada, a trama precisa ser óbvia, os diálogos expositivos e as emoções dos personagens verbalizadas a todo momento.

“Nada pode ser muito complexo, nada pode ser muito sofisticado”, explicou Jameela. “O objetivo é que a história possa ser minimamente compreendida por alguém que está, simultaneamente, fazendo compras online ou mergulhado no doomscrolling das redes sociais”, completou.

Veja abaixo o comentário na íntegra:

A declaração de Jameela aconteceu em uma conversa no podcast “The Romesh Ranganathan Show”, no momento em que a atriz falava sobre sua participação na aclamada “The Good Place”, onde brilhou com a personagem Tahani Al-Jamil. Segundo ela, “uma das últimas séries inteligentes que foram feitas. Um programa que não subestima a inteligência do público”.

A rigor, Jameela dá um soco no estômago da cultura pop:

Estamos propositalmente emburrecendo o conteúdo, e isso está levando a uma sociedade menos sutil, menos interessante e menos reflexiva

E a TV, em sua batalha desesperada pela atenção, parece estar hasteando a bandeira branca, aceitando seu papel como um mero ruído de fundo para a verdadeira estrela da sala: a tela do smartphone.

Oportunidade para o publishing digital

Mas onde entram as marcas nessa história? Bom, ao mesmo tempo em que Jameela traça esse futuro nebuloso para a TV, pode-se dizer que a atenção do público voltada para os smartphones significa uma oportunidade de ouro para as marcas que buscam relevância no universo digital. 

Enquanto a mídia tradicional da TV perde a guerra pela atenção e se contenta com um engajamento superficial, as empresas que investem em uma mídia proprietária forte já estão exatamente onde a ação acontece. Elas não precisam lutar para desviar o olhar do consumidor, pois já habitam a tela do celular.

Ou seja, a máxima do filósofo Marshall McLuhan, “o meio é a mensagem”, nunca foi tão pertinente. O meio, hoje, é o ambiente digital, dinâmico e interativo dos nossos bolsos. E a estratégia de “emburrecimento” dos programas de TV é um sinal de fraqueza, de que ela não consegue mais competir em pé de igualdade.

Profundidade x superficialidade

Pois para as marcas que aspiram relevância na sociedade, a lição é clara: façam o oposto. Enquanto a TV subestima seu público, procurem valorizá-lo. Se as tramas estão se tornando mais rasas, aprofunde-se nos temas que interessam à sua comunidade. Invista em mídia proprietária, com conteúdo de alta qualidade, que eduque, inspire e provoque reflexão. Crie artigos, vídeos, podcasts e experiências que não apenas capturem a atenção, mas a recompensem com valor real. Afinal de contas, o meio vocês já têm.

Diante da saturação de tanto conteúdo superficial, desenhado para não incomodar quem está distraído, a profundidade se torna o maior diferencial. A marca que respeita a inteligência do seu público e se propõe a ser uma fonte confiável de informação não estará apenas disputando a atenção. Estará construindo confiança, lealdade e uma verdadeira conexão. A TV pode estar simplificando a conversa, mas essa é a sua deixa para elevá-la a um novo patamar.

Dúvidas mais comuns

O 'second screen viewing' refere-se ao hábito de os espectadores utilizarem seus smartphones enquanto assistem televisão. Isso levou grandes estúdios a instruir roteiristas e diretores a simplificarem radicalmente suas obras, tornando as tramas óbvias, os diálogos expositivos e as emoções verbalizadas constantemente. O objetivo é que a história seja compreendida por alguém que está simultaneamente fazendo compras online ou navegando nas redes sociais, sem necessidade de atenção total.

A TV está simplificando seu conteúdo porque está perdendo a batalha pela atenção do público para os smartphones. Como os espectadores estão com os olhos fixos em seus celulares enquanto a TV está ligada, os estúdios acreditam que precisam tornar o conteúdo menos complexo e sofisticado para manter algum nível de engajamento. Essa estratégia representa uma aceitação de seu papel como mero ruído de fundo enquanto o smartphone se torna a verdadeira estrela da sala.

As marcas podem se beneficiar investindo em mídia proprietária forte com conteúdo de alta qualidade nos ambientes digitais onde a ação realmente acontece: os smartphones. Enquanto a TV perde a guerra pela atenção, as empresas que já habitam a tela do celular não precisam lutar para desviar o olhar do consumidor. Isso representa uma oportunidade de ouro para marcas que buscam relevância no universo digital e já estão exatamente onde o público está focado.

Enquanto a TV subestima seu público simplificando o conteúdo, as marcas devem fazer o oposto: valorizar a inteligência do seu público. A recomendação é investir em conteúdo de alta qualidade que eduque, inspire e provoque reflexão, através de artigos, vídeos, podcasts e experiências interativas. A profundidade se torna o maior diferencial em um cenário saturado de conteúdo superficial, permitindo que a marca construa confiança, lealdade e uma verdadeira conexão com sua comunidade.

A máxima de Marshall McLuhan 'o meio é a mensagem' nunca foi tão pertinente quanto agora. O meio atual é o ambiente digital, dinâmico e interativo dos smartphones, não mais a televisão tradicional. Isso significa que o canal através do qual a marca se comunica é tão importante quanto a mensagem em si. As marcas que entendem isso e investem em mídia proprietária no ambiente digital já estão onde a ação acontece, enquanto a TV continua perdendo relevância.

Diante da saturação de conteúdo superficial desenhado para não incomodar quem está distraído, a profundidade se torna um diferencial raro e valioso. Uma marca que respeita a inteligência do seu público e se propõe a ser uma fonte confiável de informação não está apenas disputando atenção, mas construindo confiança e lealdade genuína. Enquanto a TV simplifica a conversa, as marcas que elevam o nível do diálogo conquistam uma conexão mais significativa e duradoura com sua audiência.

Os 3 pilares essenciais de conteúdo são: Produto, Entretenimento e Conhecimento. Esses pilares estruturam e dão consistência às postagens, aumentando o engajamento e as conversões. Ao combinar esses elementos, as marcas conseguem criar uma estratégia de conteúdo equilibrada que não apenas atrai atenção, mas também educa e entretém o público, alinhando-se com a recomendação de criar conteúdo que recompense a atenção do espectador com valor real.

Uma estratégia de conteúdo digital eficaz envolve ações relacionadas à criação e publicação de conteúdo de qualidade em múltiplos canais ou canais individuais, como blogs, redes sociais e email marketing. O foco deve estar em criar conteúdo que eduque, inspire e provoque reflexão, respeitando a inteligência do público. Isso significa investir em mídia proprietária forte que já habita o ambiente digital onde o público está concentrado, em vez de competir pela atenção em canais tradicionais que estão perdendo relevância.