Barões
David Bowie

Profecia sobre a internet: em 1999, David Bowie previu a desintermediação de mídias

Em entrevista para um programa da BBC, quando a internet ainda dava seus primeiros passos, o astro da música vislumbrou muito do que a sociedade vive nos dias de hoje

18 de janeiro de 2022

Por Raphael Crespo

Não é preciso conhecer muito profundamente a obra de David Bowie para saber que o cantor era um gênio visionário, muito à frente do seu tempo. E o seu vanguardismo não se resumia apenas à música que fazia ou às modas que lançava. Bowie era também um pensador – e muitas vezes um agente – das mudanças culturais da sociedade. Mas você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com o Brand Publishing, que é o tema principal deste portal? Pois recentemente, um usuário do Reddit resgatou o trecho de uma entrevista do final do século passado, em que o astro da música faz uma profecia muito precisa sobre as mudanças que a internet traria para a humanidade no Século XXI. E o que ele falou nesse vídeo corrobora tudo o que falamos por aqui sobre desintermediação de mídias e transição midiática.

A profecia de Bowie

O ano era 1999 e a entrevista em questão foi concedida ao apresentador Jeremy Paxman, para o BBC Newsnight, um dos programas de TV mais populares no Reino Unido.

“Eu acho que ainda não vimos nem a ponta do iceberg. Acho que o potencial do que a internet irá fazer à sociedade, tanto para o mal quanto para o bem, é inimaginável. Acho que estamos definitivamente à beira de algo emocionante e ao mesmo tempo aterrorizante”, profetizou Bowie.

E o diálogo se seguiu assim:

Paxman: “É apenas uma ferramenta, não?”.

Bowie: “Não! Não é. É um tipo de vida alienígena (risos). Existe vida em Marte? Sim. E acabou de aterrisar aqui”.

Paxman: “É simplesmente um sistema de entrega diferente. Mas você está argumentando sobre algo mais profundo”.

Bowie: “Sim! Eu estou falando sobre o contexto e o estado do conteúdo, que serão extremamente diferentes de tudo o que nós podemos imaginar no momento. Onde a interação entre o usuário e o provedor estarão tão em sintonia, que isso vai esmagar nossas ideias sobre o que são as mídias”.

Entrevista completa

Uma nova sociedade surgia

Fã incondicional de David Bowie, o Diretor Executivo da Barões, Paulo Henrique Ferreira, não conteve o entusiasmo para falar sobre a genialidade e o visionarismo demonstrados por Bowie em uma entrevista realizada quando a internet ainda dava seus primeiros passos no mundo.

“O David Bowie personifica a transição midiática. Ele compreendeu como poucos o impacto da mídia na sociedade do espetáculo. Tanto é que ele mutava. Era o ‘Camaleão do Rock’. Teve a fase mais alienígena, depois mais Pop e depois mais Rock. Tinha a capacidade de fazer essa leitura. Como verdadeiro midiólogo – ele era um gênio em várias áreas da vida -, ele cravou que a internet estava abrindo uma nova sociedade. Entendeu isso completamente”, afirma PH Ferreira.

Vetor de mudanças

O diretor da Barões, por sinal, é autor de um romance chamado “Álbum duplo“, cuja história é permeada por referências musicais, inclusive com sugestões de playlists a cada capítulo. E Bowie aparece logo no primeiro, com “Under Pressure” do Queen, na qual o “Camaleão do Rock” fez parceria, e também com a música “Changes”.

“Ele entendeu que a mídia potencializava e catapultava ainda mais a única coisa que não muda: o fato de que as mudanças sempre acontecem. A declaração que ele dá nessa entrevista é muito legal porque lá atrás ele já tinha feito essa leitura inicial de como a internet traria mudanças, tanto para o bem quanto para o mal. Para o bem nós vemos essa transição midiática, o Brand Publishing, as marcas informando, em vez de persuadir. E para o mal temos um monte de outras coisas. Uma transformação como essa impacta para todas as direções. E o David Bowie sabia disso. Uma pena que a gente não está vendo esse cara dialogando hoje com essa tecnologia ‘alienígena’, como ele mesmo disse”, avaliou PH.

A sociedade no Século 21

A sociedade do Século 21, como destaca PH, é totalmente diferente daquela do Século 20. Tão ou mais diferente do que a sociedade do Século 20 era em comparação com a do Século 19.

“Eu fico surpreso quando há pessoas que ainda tentam se agarrar ao século passado. É uma falta de percepção. É como se a pessoa no Século 20 quisesse viver no Século 19, numa Era Vitoriana, mesmo depois da eletricidade, dos automóveis, de duas guerras mundiais, aviação, entre outros avanços e acontecimentos históricos”, disse PH. “Vetor midiático do Século 20, David Bowie acabou, como um profeta, enxergando o século 21”, completou o diretor da Barões.

Falecido em 10 de janeiro de 2016, Bowie pode ver algumas das mudanças que profetizou. Mas, infelizmente, não teve a chance de operar muitas delas.

“Lamento que ele tenha morrido tão cedo. Acho que um homem como ele, que teria 74 anos hoje, estaria inovando também no mundo digital, agora que a internet já escalou, deixando de ser uma tecnologia emergente para ser a tecnologia dominante. Ou seja, já moldou a sociedade. Então, com certeza ele estaria hoje operando nos termos digitais de maneira influente. E seria interessante ver um senhor de 74 operando essas mudanças”, finalizou PH.