Você já deve ter se deparado com conteúdos praticamente iguais em buscas por algum determinado assunto na internet. Acontece que os gerenciadores dos mecanismos de busca também notaram esse comportamento. E diante disso, e da capacidade das ferramentas de inteligência artificial em sintetizar e reempacotar tudo que já foi publicado, uma nova recompensa foi inserida ao jogo: o ganho de informação.

Enquanto profissionais antes focavam em criar conteúdo mais abrangente que os concorrentes, o novo paradigma exige que marcas criem conteúdos que contribuam com informações genuinamente novas. Ou seja, aquilo que outras fontes não conseguem oferecer. Nesse sentido, um artigo publicado recentemente no portal Animalz defende que a mudança tornou obsoleta a corrida por artigos “definitivos” e “completos”.

A teoria do ganho de informação surgiu em 2022, baseada em uma patente do Google que sugeria recompensar conteúdo diferenciado. Na época, as páginas de resultados ainda eram dominadas por guias quase idênticos sobre os mesmos temas. Hoje, a questão central passou a ser: por que publicar algo que não seja aditivo?

Do deslocamento para a diferenciação

O modelo tradicional de SEO operava pelo deslocamento, o que significava analisar artigos bem posicionados, identificar lacunas e construir versões mais abrangentes para superar a concorrência. Assim, o material produzido conseguia tirar outros artigos da primeira página ao subir posições nas pesquisas.

O novo modelo, por sua vez, prioriza a diferenciação. Dessa forma, quando o Google ou qualquer IA sintetiza respostas usando múltiplas fontes, o trabalho das marcas consiste em oferecer o que essas fontes não conseguem fornecer e, portanto, obter uma citação como fonte complementar.

Essa mudança cria oportunidades para marcas menores, embora a autoridade do domínio ainda importe. Ainda que as dez primeiras páginas apareçam em resumos de IA em mais da metade das vezes, não é necessário superá-las e, sim, se diferenciar deles com informações exclusivas.

A sintetização das respostas nos resumos de IA envolvem, em média, cinco fontes diferentes. As matérias citadas contribuem com algo novo e o restante, sem adição nenhuma, são incorporados sem atribuição. 

Quatro estratégias para ganho de informação

A diferenciação na era da IA funciona como otimização do mecanismo de resposta e é possível implementá-la de quatro maneiras distintas, na avaliação de Wahl.

Para construí-las, o autor pode optar pela pesquisa original, conteúdo baseado ou que desafie os outros, perspectivas novas e arriscadas, e pela definição de um grupo específico.

Construir vantagem competitiva com pesquisa original

Dados proprietários representam a forma mais segura de adicionar informações novas ao tema debatido. As informações que são capturadas internamente não são encontradas em outros lugares, por isso são complementares às demais.  

Ao falar em pesquisa original, é preciso desassociá-la de estudos complexos e caros. Isso porque podem ser feitas com clientes, dados de usuários já coletados, estatísticas de uso do produto ou feedback agregado da base de usuários. Somam-se à lista, as perspectivas pessoais e experiências diretas da empresa, assim como entrevistas com especialistas da rede de contatos.

A originalidade nas informações reverbera nas buscas e faz com que a marca, aos poucos, se torne mais que uma fonte complementar. Ela passa a ser referência e autoridade no assunto e começa a rankear melhor nos mecanismos de pesquisas. 

Criar conteúdo que se baseie em predecessores

A estratégia de criar conteúdo que se baseie ou desafie os predecessores sai do pressuposto que a IA já sintetizou as informações essenciais. A tarefa agora é preencher as lacunas deixadas pelos outros conteúdos.

Isso inclui compartilhar próximos passos práticos quando artigos existentes explicam apenas conceitos, desenvolver ideias centrais que outros conteúdos mencionam superficialmente, ou criar a “versão 102” para leitores que já dominam os fundamentos e precisam de maior profundidade.

Experimentar enquadramentos arriscados

Quando a busca em se destacar caminha para a criação de conteúdo copiado, ela normalmente fracassa. Na configuração atual, os mecanismos recompensam a diferenciação. Por isso, é importante analisar o seguinte ponto: resultados de busca frequentemente convergem para uma única interpretação. É justamente essa convergência que cria oportunidades.

Desafiar crenças ultrapassadas e adotar posições firmes geram mais valor que conselhos genéricos. “Aqui está exatamente o que funciona e por quê” é algo específico que a IA pode citar, já o “depende”, nem sempre.

Escrever para grupos específicos

“A segmentação de público é diferenciação na prática”, explica Wahl. Ele se baseia em um estudo de 2025 com 300 sites B2B de SaaS que conclui que empresas que segmentaram por setor melhoraram seu posicionamento no Top 10 do Google em 43,4%. Os sites segmentados também observaram melhoras, com crescimento de tráfego orgânico 15,7 vezes maior.

A ideia central é que o conteúdo setorial específico gera ganho de informação porque não podem ser replicados por artigos genéricos. Dentre as opções de segmentação, o autor pode filtrar por tamanho da empresa, nível de experiência ou caso de uso específico. Como exemplo, Wahl propõe a substituição do “O Guia Definitivo para Retenção de Clientes” para “Estratégias de Retenção para Plataformas de Saúde”.

Dúvidas mais comuns

Ganho de informação é um novo paradigma de SEO que surgiu em 2022, baseado em uma patente do Google. Em vez de focar em criar conteúdo mais abrangente que os concorrentes, o ganho de informação prioriza a criação de conteúdos que contribuem com informações genuinamente novas e exclusivas. Isso significa oferecer aquilo que outras fontes não conseguem fornecer, tornando obsoleta a corrida por artigos "definitivos" e "completos".

A IA mudou o SEO ao sintetizar e reempacotar conteúdo existente, tornando a simples replicação de informações ineficaz. Enquanto o modelo tradicional operava pelo deslocamento (criar versões mais abrangentes para superar concorrentes), o novo modelo prioriza a diferenciação. Agora, as marcas precisam oferecer informações exclusivas que as IAs possam citar como fontes complementares, em vez de tentar ocupar a primeira posição com conteúdo genérico.

O modelo tradicional de SEO operava pelo deslocamento, analisando artigos bem posicionados, identificando lacunas e construindo versões mais abrangentes para superar a concorrência. O novo modelo prioriza a diferenciação, focando em oferecer o que outras fontes não conseguem fornecer. Enquanto antes era necessário superar os concorrentes para ocupar a primeira página, agora o objetivo é se diferenciar com informações exclusivas que as IAs reconheçam como complementares.

As quatro estratégias são: (1) Pesquisa original com dados proprietários, como estatísticas de uso do produto, feedback de clientes ou entrevistas com especialistas; (2) Criar conteúdo que se baseie ou desafie predecessores, preenchendo lacunas deixadas por outros artigos; (3) Experimentar enquadramentos arriscados e desafiar crenças ultrapassadas, oferecendo posições firmes em vez de conselhos genéricos; (4) Escrever para grupos específicos, segmentando por setor, tamanho da empresa ou nível de experiência.

A pesquisa original não precisa ser complexa ou cara. Pode ser feita utilizando dados já coletados internamente, como estatísticas de uso do produto, feedback agregado da base de usuários, ou entrevistas com especialistas da rede de contatos. Também inclui perspectivas pessoais e experiências diretas da empresa. Essas informações proprietárias não são encontradas em outros lugares, tornando-se complementares e diferenciadas no contexto de buscas.

A segmentação de público é diferenciação porque cria conteúdo específico que não pode ser replicado por artigos genéricos. Um estudo de 2025 com 300 sites B2B de SaaS mostrou que empresas que segmentaram por setor melhoraram seu posicionamento no Top 10 do Google em 43,4%, com crescimento de tráfego orgânico 15,7 vezes maior. Conteúdo setorial específico gera ganho de informação genuíno, pois é adaptado para necessidades particulares de cada grupo.

O conteúdo gerado por IA funciona para SEO desde que seja feito de forma ética e adicione valor genuíno. O Google não bane nem penaliza sites por conteúdo gerado por IA. No entanto, a IA também sintetiza respostas usando múltiplas fontes, o que significa que conteúdo puramente replicado ou genérico não se diferencia. O foco deve ser usar IA como ferramenta para criar conteúdo que ofereça perspectivas novas, dados exclusivos ou insights que as IAs possam reconhecer como complementares.

O novo modelo de ganho de informação cria oportunidades para marcas menores, pois não é necessário superar os dez primeiros resultados com conteúdo mais abrangente. Em vez disso, marcas menores podem se diferenciar oferecendo informações exclusivas e perspectivas únicas. Embora a autoridade do domínio ainda importe, a ênfase agora está em oferecer o que grandes concorrentes não conseguem fornecer, permitindo que apareçam como fontes complementares em resumos de IA.