O novo anúncio do Google de lançar visões gerais de Inteligência Artificial (IA) no topo dos resultados de pesquisa para os usuários dos Estados Unidos tem gerado discussões sobre o real impacto aos publishers. E o tema foi abordado em artigo publicado recentemente por Jack Marshall, cofundador da Toolkits, que traz opiniões de diversos editores de conteúdo.

De acordo com Marshall, um deles descreveu o anúncio do Google como “game over para editores que dependem de conteúdo utilitário”. Outro profissional do ramo disse que foi “o último prego no caixão” para seu relacionamento com o Google. Enquanto um terceiro “respondeu com um gif de um asteroide destruindo um planeta”.

Primeiros publishers afetados

Marshall traz ainda uma análise sobre quais tipos de publishers poderão ser mais afetados com a decisão do Google.

“Os primeiros sinais sugerem que as respostas da IA ​​​​já estão se mostrando altamente eficazes e úteis para perguntas relativamente simples, como perguntas sobre ‘como fazer’ ou ‘que horas são’. Os publishers que orientaram seu conteúdo em torno de conteúdo utilitário de baixo risco podem esperar que o tráfego do Google diminua como resultado”, afirma Marshall.

Conteúdos segmentados e mais complexos devem fazer com que os publishers fiquem menos preocupados.

“Os resultados da IA ​​podem até ajudar a direcionar tráfego de maior qualidade para suas propriedades se esses resultados ajudarem a conectar os pontos de forma mais eficaz entre o conteúdo e as consultas dos usuários”, afirma o autor.

Portais de notícias 

De acordo com o cofundador da Toolkits, para portais de notícias, o impacto é mais complexo de ser medido.

“Pode variar com base no quanto dependem do tráfego de conteúdo orientado para pesquisa. Aqueles que atualmente geram uma grande parte de seu tráfego a partir de consultas do tipo ‘que horas é o eclipse’ ou ‘este programa de TV é baseado em uma história verdadeira’ podem ver seu tráfego diminuindo a partir deste ponto. A mudança do Google poderia rapidamente tornar aparente quais editores encheram suas páginas iniciais com notícias, mas na verdade subsistem com o tráfego de termos de pesquisa de valor relativamente baixo”, diz Marshall.

resultado da pesquisa

O autor do artigo também destaca o argumento apresentado pelo Google, que garante melhorar os resultados de pesquisa e o envio de mais tráfego para os publishers.  

“Vemos que os links incluídos nas visões gerais de IA recebem mais cliques do que se a página tivesse aparecido como uma listagem tradicional da web para essa consulta. À medida que expandimos essa experiência, continuaremos a nos concentrar no envio de tráfego valioso para editores e criadores”, disse o Google em seu anúncio do recurso.

As mesmas preocupações

As respostas no topo da página de busca, alimentadas pela tecnologia Gemini AI, também foram analisadas em artigo escrito por Kevin Roose para o New York Times e replicado pelo Infomoney.

O colunista afirma que os resumos darão aos usuários uma sinopse concisa sobre o que estão procurando juntamente com sugestões de perguntas complementares e uma lista de links para mais informações.

“A inclusão dessas respostas representa a maior mudança que o Google fez em sua página principal de resultados de pesquisa em anos e decorre da sua fixação em integrar IA generativa ao maior número possível de seus produtos. Também pode se tornar um recurso popular entre os usuários — testo resumos de IA há meses por meio do programa Search Labs, do Google e, em geral, os considero úteis e precisos”, diz o artigo.

Porém, Roose não descarta os motivos legítimos para a preocupação.

“Se o mecanismo de resposta de IA funcionar bem o suficiente, os usuários não precisarão clicar em link algum. Tudo o que eles procuram estará ali, no topo dos resultados da busca. E a grande troca em que se baseia o relacionamento do Google com a web aberta – você nos dá artigos, nós lhe damos tráfego – pode desmoronar”.

No mesmo artigo, Roose cita o que Liz Reid, vice-presidente de pesquisas do Google, disse em um blog da empresa: que o Google “continuaria a se concentrar no envio de tráfego valioso para editores e criadores”.

“Mas analise essas respostas com cuidado e verá que o Google não está dizendo que o tráfego geral de buscas dos editores não diminuirá. Isso ocorre porque o Google realmente não tem como prever o que acontecerá quando ele começar a mostrar resumos gerados por IA em bilhões de resultados de busca por dia e como o comportamento dos usuários poderá mudar em decorrência disso”, finaliza Roose.

Dúvidas mais comuns

As visões gerais de IA são resumos gerados pela tecnologia Gemini AI que aparecem no topo dos resultados de pesquisa do Google. Esses resumos fornecem aos usuários uma sinopse concisa sobre o que estão procurando, juntamente com sugestões de perguntas complementares e uma lista de links para mais informações, representando a maior mudança que o Google fez em sua página de resultados em anos.

Os publishers que orientaram seu conteúdo em torno de conteúdo utilitário de baixo risco, como respostas para perguntas simples sobre 'como fazer' ou 'que horas são', serão os mais afetados. Portais de notícias que geram grande parte do tráfego a partir de consultas de valor relativamente baixo também podem ver diminuição significativa em seus acessos provenientes de buscas.

Conteúdos segmentados e mais complexos podem receber impacto positivo das respostas de IA, pois os resultados podem ajudar a direcionar tráfego de maior qualidade para as propriedades dos publishers. Isso ocorre quando os resultados de IA ajudam a conectar os pontos de forma mais eficaz entre o conteúdo e as consultas dos usuários, beneficiando editores com conteúdo mais especializado.

O Google afirma que os links incluídos nas visões gerais de IA recebem mais cliques do que se a página tivesse aparecido como uma listagem tradicional da web. A empresa declara que continuará se concentrando no envio de tráfego valioso para editores e criadores, mas não garante que o tráfego geral de buscas não diminuirá, pois é impossível prever o comportamento dos usuários em larga escala.

O principal risco é que se as respostas de IA funcionarem bem o suficiente, os usuários podem não precisar clicar em links, pois encontrarão tudo o que procuram no topo dos resultados. Isso pode desmoronar a grande troca em que se baseia o relacionamento do Google com a web aberta: os publishers fornecem artigos e o Google fornece tráfego em retorno.

Os publishers devem produzir conteúdo que responda perguntas de forma clara e direta, preferencialmente nos primeiros parágrafos, utilizando linguagem natural que ajude a IA a identificar rapidamente o valor informativo. Além disso, devem focar em conteúdo segmentado e complexo que agregue valor além de simples respostas utilitárias, diferenciando-se da IA.

Alguns editores descrevem o anúncio como 'game over' para quem depende de conteúdo utilitário, pois as respostas de IA já se mostram altamente eficazes para perguntas simples. Isso representa uma ameaça significativa ao modelo de negócio de publishers que construíram suas estratégias em torno de conteúdo de baixo risco e valor informativo direto.

O impacto varia significativamente: publishers de conteúdo utilitário simples enfrentarão queda de tráfego, enquanto portais de notícias podem ver diminuição dependendo de quanto dependem de consultas de baixo valor. Publishers com conteúdo especializado e segmentado podem até se beneficiar, pois as respostas de IA podem direcionar tráfego mais qualificado para suas propriedades.