A coleta de dados e a geração de inteligência a partir deles é tarefa da qual as empresas não poderão fugir se quiserem se diferenciar da concorrência. Isso porque, diante das mudanças na experiência de consumo, as marcas terão de conhecer mais de perto seus clientes. Portanto, as empresas que quiserem ter um diferencial sobre a concorrência terão de se debruçar sobre o tema. E o brand publishing pode ser um vetor eficiente para isso. O assunto foi debatido no evento “Marketing e inovação – o que está por vir”, promovido pela Câmara de Comércio Americana (AmCham) no Rio de Janeiro.

Ao se tornar curadora de conteúdo sobre a sua área de atuação, a marca consegue conhecer exatamente quem é o seu público, coletar dados sobre ele e aumentar as chances de conversão dos leads. “Depois que você consegue estabelecer um ambiente de publishing, você pode plugar embaixo dele maneiras de buscar dados dos clientes de forma legítima”, afirma o diretor executivo da Barões Digital Publishing, Paulo Henrique Ferreira, ou PH, como é mais conhecido.

(Foto: AmCham)

PH citou o exemplo do owned media da Oi, o Negociarias, um hub de conteúdo posicionado na área de pequeno empreendedorismo que chegou a ter 500 mil visitas por mês. A partir dos dados coletados nessas visitas, foi possível criar quatro clusters distintos de conteúdo – empreendedores em atividade, iniciantes, executivos e funcionários e pessoas desempregadas. E grande parte do público estava nesse último segmento. Mas havia um problema. A Oi só vendia produtos para pequneas empresas (PME) se elas tivessem o CNPJ ativo há pelo menos seis meses. “Ou seja, a política da empresa estava indo contra a estratégia de negócio. Nessa mesma época, a Oi decidiu retirar esse limite e integrou o segmento PME ao varejo“, conta PH. O Negociarias ficou no ar nos anos de 2017 e 2018.

Vetor de transformação digital

O brand publishing, portanto, se mostra como um drive do desenvolvimento de uma cultura de dados dentro de uma corporação. Ele vai auxiliar a empresa a montar a sua estratégia de dados, identificar sua estratégia de negócios em cima desses dados e curá-los para a tomada de decisões. “O brand publishing, nesse sentido, se mostra como vetor relevante do processo de transformação digital das marcas”, pontua PH.

A estratégia de publishing está intimamente ligada com a necessidade de as empresas subirem a barra do marketing de conteúdo. Bruno Mello, fundador e editor executivo do Mundo do Marketing, defende ser necessário que as empresas mapeiem passo a passo a jornada de compra dos clientes se quiserem conhecê-lo. E para fazer isso é preciso ter conteúdo. No entanto, a discussão é: como fazer isso melhor? “Se a empresa de vocês não está fazendo isso, corre, porque está na hora. A gente faz isso e vê o quanto é rentável”, pondera.

Mello afirma ainda que o mapeamento da jornada dos clientes com dados, ajuda a aumentar o percentual de conversão de leads. “Em média, somente 0,75% dos leads se converte em venda. Mapeando a jornada esse percentual pode subir muito”, revela. Ele vê como inexorável a necessidade de se construir um futuro totalmente data driven.

(Foto: AmCham)

Inteligência artificial na veia

Já Éber Gonçalves, Watson Marketing leader da IBM, afirma que os dados são muito importantes para o profissional de marketing. As empresas brasileiras já estão coletando dados dos seus clientes e tomando decisões de negócios em cima deles. O passo seguinte é começar a usar a inteligência artificial para gerar decisões e ações de venda ainda mais precisas. “O relacionamento com o cliente mudou. Hoje você tem que analisar o que o seu negócio está fazendo diferente do concorrente”, comenta.

O representante da multinacional de origem norte-americana afirma que o diferencial hoje é compreender toda a experiência de compra do cliente. Pois quanto melhor for a sua experiência mais ele vai se relacionar (comprar) com a marca. Com inteligência artificial, afirma Gonçalves, é possível conhecer o cliente de perto e personalizar a comunicação, sabendo até mesmo o horário que é mais provável que o cliente vá interagir com a marca.

Resolvendo o básico

Moderando o debate, o consultor, pesquisador e professor da ESPM, João Vítor Rodrigues, disse que é necessário entender as tendências do marketing dentro de conceitos específicos e os contextos onde essas tecnologias são colocadas. “Existe uma visão que o marketing digital resolve tudo, mas tem coisas básicas que as empresas precisam fazer antes de investir em inteligência artifical”, exemplifica.

Diante dessas colocações, o brand publishing se apresenta com o elemento que vai subir a barra do inbound marketing ao abordar de forma madura o conteúdo. Quem começar agora, vai sair na frente da concorrência. “Depois do hype inicial, o brand publishing se mostra como o marketing de conteúdo que dá certo e gera resultado para as empresas”, afirma PH.

Dúvidas mais comuns

Brand publishing é a estratégia de comunicação que torna as marcas donas de seus próprios canais de mídia, permitindo que elas se tornem curadores de conteúdo sobre sua área de atuação. Ao estabelecer um ambiente de publishing, as empresas conseguem conhecer exatamente quem é seu público, coletar dados de forma legítima e aumentar as chances de conversão dos leads, funcionando como um vetor eficiente de coleta de inteligência sobre os clientes.

O brand publishing permite que as empresas coletem dados de forma legítima através da interação dos usuários com o conteúdo publicado. Ao analisar as visitas e o comportamento do público em seus hubs de conteúdo, as marcas conseguem criar clusters distintos de clientes, identificar padrões de comportamento e segmentar sua audiência para melhor compreender suas necessidades e preferências, transformando essas informações em inteligência para decisões de negócio.

O brand publishing funciona como um vetor relevante do processo de transformação digital das marcas, auxiliando as empresas a montar sua estratégia de dados, identificar estratégias de negócios baseadas nesses dados e curá-los para a tomada de decisões. Ele representa um elemento fundamental para subir a barra do inbound marketing ao abordar de forma madura o conteúdo, preparando as organizações para um futuro totalmente data driven.

Ao mapear passo a passo a jornada de compra dos clientes com base em dados, as empresas conseguem aumentar significativamente o percentual de conversão de leads. Enquanto em média apenas 0,75% dos leads se convertem em venda sem essa estratégia, o mapeamento adequado da jornada pode elevar esse percentual consideravelmente, permitindo que as marcas entendam melhor o comportamento do cliente e otimizem suas ações de marketing.

A inteligência artificial complementa o brand publishing ao permitir que as empresas gerem decisões e ações de venda ainda mais precisas baseadas nos dados coletados. Com IA, é possível personalizar a comunicação com cada cliente, conhecê-lo de perto, identificar o melhor horário para interação e compreender toda a experiência de compra, resultando em relacionamentos mais efetivos e maior probabilidade de conversão.

O Negociarias foi um hub de conteúdo posicionado na área de pequeno empreendedorismo que alcançou 500 mil visitas por mês. Através dos dados coletados, a Oi identificou quatro clusters distintos de clientes e descobriu que grande parte do público era de pessoas desempregadas. Essa inteligência levou a empresa a revisar sua política comercial, removendo limitações de CNPJ e integrando o segmento PME ao varejo, demonstrando como dados de brand publishing podem impactar diretamente a estratégia de negócio.

O brand publishing se diferencia do marketing de conteúdo tradicional por abordar o conteúdo de forma madura e estruturada, gerando resultados mensuráveis para as empresas. Enquanto o marketing digital tradicional pode resolver muitos problemas, o brand publishing resolve questões básicas de forma eficaz e legítima, subindo a barra do inbound marketing. Após o hype inicial, o brand publishing se consolidou como a estratégia de marketing de conteúdo que realmente funciona e gera retorno comprovado.

Antes de investir em inteligência artificial e tecnologias avançadas, as empresas precisam resolver questões básicas de marketing, como estabelecer uma estratégia clara de conteúdo e dados. O brand publishing é exatamente esse elemento fundamental que prepara a organização, permitindo que ela mapeie a jornada do cliente, colete dados de forma estruturada e crie uma cultura data driven. Somente com essas bases sólidas é que as empresas estarão prontas para implementar tecnologias mais sofisticadas com efetividade.