O portal Próximo Nível, projeto de Brand Publishing da Embratel, publicou recentemente uma entrevista exclusiva com Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e conselheiro por notório saber do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br) desde a sua fundação, em 1995.
Engenheiro eletricista e primeiro brasileiro a ser incluído no Internet Hall of Fame, em 2014, Getschko é um dos precursores da internet brasileira. Ele falou na entrevista sobre o futuro da Internet no Brasil, abordou conceitos de liberdade da rede e reforçou a importância da técnica e da educação digital no país.
Conectividade e inclusão social
Um dos pontos abordados na entrevista foi um levantamento do Cetic que aponta para a necessidade de se ampliar a conectividade nas cidades com menos de 20 mil habitantes no Brasil.
De acordo com o especialista, é de se esperar que uma grande operadora tenha menos estímulo para atuar em cidades menores. E foi por esse motivo que surgiram as redes comunitárias, assim como os pequenos provedores de internet.
“Isso ilustra como a internet é uma “coleção de redes” para que a conectividade chegue a cada local”, disse Getschko ao Próximo Nível.
Ele aponta a importância de ações conjuntas entre governo e iniciativa privada para viabilizar a internet em lugares sem conectividade.
“A conectividade torna-se cada vez mais fundamental para a competitividade, em várias esferas da sociedade. Quase tudo tem alguma forma de “eletrônica embarcada” hoje em dia, e a tendência é que isso se amplie cada vez mais com a internet das coisas que, junto com a inteligência artificial e outras tecnologias, vai permitir o acompanhamento de atividades rurais, por exemplo, além de outros acessos capazes de reduzir a distância social entre as pessoas”, afirmou o especialista.
Segurança e fake news
O NIC.br, segundo Getschko, tem muito material sobre “internet mais segura”, com boas práticas de segurança até mesmo para os provedores de infraestrutura. No entanto, para o especialista, os aspectos técnicos, apesar de relevantes, não são suficientes, pois a chave continua sendo o usuário.
“Precisamos elevar o letramento digital das pessoas, para mostrar que tudo tem contrapartida, e não, simplesmente, buscar limitar o uso da internet. É preciso explicar que, na internet, sempre se deixam rastros, e muitos malefícios são consequências disso. O ataque cibernético é o mal mais técnico, mas também há a disseminação das fake news, assim como outras práticas naturais da sociedade, que sempre existiram, mas hoje são potencializadas pela rede”, alertou Getschko.
Estrutura de domínios no Brasil
Recentemente, o Brasil ultrapassou a marca de 5 milhões de domínios .br. No papo com o portal Próximo Nível, Getschko comentou esse caminho da internet brasileira e fez projeções para o futuro.
“O crescimento de domínios depende de várias coisas, como confiança no registrador, preço, etc. Quanto mais gente está conectada, mais domínios são registrados. Temos competidores também, como redes sociais e outros tipos de plataforma que buscam concentrar os usuários no “jardim murado” e acabam influenciando no crescimento dos domínios, pois muitos usuários acabam optando por essas soluções entendendo-as como suficientes. Mas não são. Afinal, se amanhã ou depois uma dessas plataformas é substituída ou desaparece – como já aconteceu – o usuário perde sua referência digital”, disse Getschko.
O domínio .br é o principal do país e foi delegado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) em 1989. Desde então, de acordo com o especialista, ele apresenta um crescimento razoável, ano a ano, apesar de uma pequena estagnada em 2018, quando cresceu abaixo de dois dígitos.
“Tivemos com a pandemia um baita crescimento, obviamente pelo aumento do uso da internet no Brasil e no mundo. O .br representa mais de 75% dos domínios no país, e isso nos coloca entre os domínios de código de país melhor sucedidos no mundo”, revelou .
Inspiração em Demi Getschko para dissertação de mestrado
Em 2005, o diretor-executivo e um dos fundadores da Barões Digital Publishing, Paulo Henrique Ferreira, publicou sua pesquisa de mestrado com o tema: “Notícias no celular: uma introdução ao tema“.
Desenvolvida e defendida na ECA-USP, sob orientação da Prof. Dra. Mylene Melly , o estudo foi pioneiro no Brasil sobre conteúdos noticiosos e dispositivos móveis. E Demi Getschko teve um papel fundamental no desenvolvimento da tese de PH Ferreira.
“Entrevistei Demi Getschko em 2004. Já naquela época, ele cravou que o telefone viraria um comunicador móvel pessoal. E esse conceito foi fundamental para eu abordar o smartphone como um dispositivo de consumo de notícia. Ele contribuiu muito nessa calibragem da minha dissertação de mestrado”, disse PH.
O executivo da Barões, por sinal, conta essa história em detalhes no primeiro livro brasileiro sobre Brand Publishing e Transição Midiática, de sua autoria, em processo de publicação. Em breve traremos todos os detalhes sobre o lançamento aqui no Brand Publishing Brasil.
Dúvidas mais comuns
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Educação digital é uma área interdisciplinar que inclui competências e aprendizagens relativas ao uso de tecnologias, comunicação, reflexão e análise de informações e mídias. Segundo Demi Getschko, é fundamental elevar o letramento digital das pessoas para que entendam que tudo na internet deixa rastros e que existem consequências para suas ações online, ajudando a combater problemas como fake news e ataques cibernéticos.
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Getschko destaca que, embora os aspectos técnicos de segurança sejam relevantes, a chave continua sendo o usuário. É necessário educar as pessoas sobre como a internet funciona, mostrando que sempre deixam rastros digitais e que muitos malefícios são consequências disso. Essa educação é essencial para reduzir a disseminação de fake news e outros problemas potencializados pela rede.
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De acordo com Getschko, a conectividade é fundamental para a competitividade em várias esferas da sociedade. Ela permite o acompanhamento de atividades rurais através da internet das coisas e inteligência artificial, além de reduzir a distância social entre as pessoas. Para alcançar conectividade em cidades menores, surgiram redes comunitárias e pequenos provedores de internet, ilustrando como a internet é uma 'coleção de redes' que chega a cada local.
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O NIC.br, dirigido por Demi Getschko, possui material extenso sobre 'internet mais segura' com boas práticas de segurança para provedores de infraestrutura. No entanto, Getschko ressalta que os aspectos técnicos sozinhos não são suficientes, sendo necessário combinar essas medidas com educação digital dos usuários para criar um ambiente online mais seguro e confiável.
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O domínio .br, delegado ao NIC.br em 1989, apresenta crescimento consistente ano a ano, representando mais de 75% dos domínios no país. O Brasil ultrapassou recentemente a marca de 5 milhões de domínios .br, posicionando-se entre os domínios de código de país mais bem-sucedidos do mundo. Esse crescimento foi potencializado pela pandemia, que aumentou significativamente o uso da internet no Brasil.
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Segundo Getschko, embora muitos usuários entendam as redes sociais e plataformas como suficientes, elas funcionam como 'jardins murados' que concentram usuários. A desvantagem é que se uma plataforma desaparece ou é substituída, o usuário perde sua referência digital. Ter um domínio próprio oferece maior independência e permanência digital, não dependendo da continuidade de terceiros.
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Demi Getschko é engenheiro eletricista e um dos precursores da internet no Brasil, sendo o primeiro brasileiro incluído no Internet Hall of Fame em 2014. Como diretor-presidente do NIC.br desde sua fundação em 1995 e conselheiro do CGI.br, ele tem sido fundamental na estruturação e desenvolvimento da internet brasileira, contribuindo para políticas de conectividade, segurança e educação digital.
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Getschko aponta que ações conjuntas entre governo e iniciativa privada são essenciais para viabilizar a internet em lugares sem conectividade. Grandes operadoras têm menos estímulo para atuar em cidades menores, o que justifica o surgimento de redes comunitárias e pequenos provedores. Essa colaboração é fundamental para garantir que a conectividade chegue a todas as regiões do país, reduzindo desigualdades sociais.