A recente resolução do Banco Central (BC) sobre a obrigatoriedade de ações de educação financeira pelas instituições do setor surge como um marco regulatório essencial para o país. Ao exigir que as organizações assumam um papel ativo na educação, o órgão busca tornar a população mais autônoma, consciente e informada, não apenas para proteger os cidadãos de riscos, mas também para promover uma cultura de planejamento e responsabilidade econômica. Nesse sentido, o Brand Publishing pode ser o melhor caminho para que as empresas se adequem à lei e fortaleçam suas marcas.
Afinal, mais do que apenas transmitir informações, é preciso construir narrativas educativas que engajem o público e que sejam mais personalizadas. Ao utilizar canais próprios e estratégias de comunicação editorial digital, as empresas podem não apenas informar, mas também se consolidar como referências em educação financeira, em um movimento que une regulação, responsabilidade social e inovação midiática.
O que diz a nova regulação
A nova regulação do Banco Central sobre educação financeira foi formalizada com base na Lei nº 14.690, de 3 de outubro de 2023. Essa lei atribui ao Conselho Monetário Nacional (CMN) e ao Banco Central a responsabilidade de implementar diretrizes para garantir que instituições financeiras e de pagamento promovam ações educativas como maneira de prevenir o inadimplemento das operações e o superendividamento.
A medida entrou em vigor em 1º de julho de 2024 e espera reduzir os impactos negativos do crescente endividamento da população e das fraudes no setor financeiro.
Entre 2019 e 2021, os casos de fraudes e golpes saltaram de 1,2 milhão para 4,1 milhões, segundo o Banco Central. Além disso, o número de pessoas inadimplentes em operações de crédito há mais de 90 dias subiu de 10,2 milhões, em dezembro de 2016, para 15,9 milhões, em setembro de 2023.
O número de pessoas em situação de endividamento de risco também cresceu significativamente, de 8,4 milhões, em dezembro de 2017, para 15,1 milhões, em março de 2023.
Trata-se, portanto, de um esforço para descentralizar o conhecimento financeiro e possibilitar que os brasileiros adquiram as ferramentas necessárias para gerir suas finanças pessoais de forma mais consciente.
Educação financeira traz qualidade de vida

Com trabalho de conclusão de MBA focado no brand publishing como estratégia para varejistas do setor financeiro, a Especialista em Mídias Sociais Camille Cardoso avalia que a nova determinação do Banco Central toca em um ponto crucial para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros: a educação financeira.
“Embora tardia, creio que a ação irá potencializar a necessidade de as empresas reavaliarem seu papel social e, assim, cumpram de maneira eficaz a missão de descentralizar o conhecimento financeiro através de informação genuína”, afirma Camille.
A nova regra do Banco Central se dá em um momento em que a informação é abundante. Mas, ao mesmo tempo, como destaca Camille, a desinformação e as fake news proliferam nas redes digitais.
“Isso torna ainda mais relevante a necessidade de práticas responsáveis de comunicação”, completa a especialista.
O papel do Brand Publishing na Sociedade da Informação
Nesse cenário de transformação midiática, o Brand Publishing se apresenta como uma ferramenta essencial para as empresas. Guilherme Murtinho, cofundador da Transfero Group, discorre sobre isso em seu capítulo no livro “Brand Publishing na Prática”, organizado por Paulo Henrique Ferreira, Diretor-Executivo da Barões, e lançado em outubro de 2024, pela editora Robecca & Co.
Segundo ele, a transição midiática exige que as marcas adotem estratégias proprietárias de comunicação para criar ativos de mídia que transmitam informações com precisão e responsabilidade.
“A habilidade de comunicar com clareza e transparência e educar as pessoas tornou-se um diferencial essencial em meio à cacofonia de vozes presentes no ecossistema cripto”, afirma Murtinho no livro.
Ao se posicionarem como publishers, as instituições financeiras não apenas se aproximam à regulação, mas também criam uma vantagem competitiva ao construir uma relação mais próxima e confiável com seus clientes.
O Brand Publishing permite que as marcas desenvolvam conteúdos educativos consistentes e direcionados, utilizando seus próprios canais e plataformas para disseminar informações de maneira contínua e estratégica.
Transfero se antecipa à regulação
No contexto do mercado cripto, a Transfero é um exemplo de como o Brand Publishing pode ser uma ferramenta poderosa para educar o público. Em 2018, empresa optou por desenvolver seu próprio ativo de mídia, o Panorama Crypto, com o objetivo de fornecer informações transparentes e seguras sobre criptoativos. O canal permitiu que a Transfero se posicionasse como uma autoridade no mercado, educando investidores sobre as oportunidades e os riscos associados ao setor.
Essa estratégia também se aplica para instituições mais tradicionais do setor bancário, como o Itaú já faz com o hub de conteúdo Inteligência Financeira. Com o avanço das plataformas digitais e a mudança no comportamento de consumo de informações, as empresas têm a oportunidade de impactar ainda mais pessoas.
Na visão de Guilherme Murtinho, a proliferação dos dispositivos móveis aliada a análise de dados cria um cenário favorável para que as empresas se posicionem como um think tank do mercado. A construção do ativo também é capaz de gerar ganhos em outras frentes, como publicidade e assessoria de imprensa.
“Em conclusão, o brand publishing nos transformou efetivamente em uma marca educadora. Nos ajudou também a identificar nossos clusters de audiência, permitindo que extrapolássemos esses dados para a tomada de decisão dos rumos do nosso próprio negócio”, concluiu o executivo da Transfero.
Dúvidas mais comuns
-
-
Brand publishing é a estratégia de comunicação que torna as marcas donas de seus próprios canais de mídia, permitindo que se comuniquem diretamente com seu público através de plataformas proprietárias. No contexto de educação financeira, o brand publishing permite que instituições financeiras desenvolvam conteúdos educativos consistentes e direcionados, posicionando-se como autoridades e referências no setor, enquanto cumprem as exigências regulatórias do Banco Central de forma inovadora e engajadora.
-
-
A nova regulação do Banco Central, formalizada com base na Lei nº 14.690 de outubro de 2023, obriga instituições financeiras e de pagamento a promoverem ações educativas como forma de prevenir inadimplemento e superendividamento. A medida entrou em vigor em 1º de julho de 2024 e busca reduzir os impactos negativos do crescente endividamento da população e das fraudes no setor financeiro, descentralizando o conhecimento financeiro para que os brasileiros adquiram ferramentas para gerir suas finanças de forma mais consciente.
-
-
A educação financeira é crucial para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, permitindo que as pessoas adquiram autonomia e consciência para tomar decisões financeiras mais responsáveis. Com o crescimento de casos de fraudes, inadimplemento e endividamento de risco entre a população, a educação financeira se torna uma ferramenta essencial para proteger os cidadãos, promover uma cultura de planejamento econômico e possibilitar a realização de metas pessoais de forma sustentável.
-
-
O brand publishing permite que instituições financeiras criem ativos de mídia próprios para disseminar informações educativas de forma contínua e estratégica. Ao desenvolver conteúdos personalizados através de canais proprietários, as empresas não apenas cumprem a obrigatoriedade regulatória de educação financeira, mas também constroem uma relação mais próxima e confiável com seus clientes, posicionando-se como referências educadoras no mercado e criando uma vantagem competitiva significativa.
-
-
Os pilares da educação financeira incluem: reconhecer (compreender a situação financeira atual), registrar (documentar receitas e despesas), revisar (analisar regularmente os dados financeiros) e realizar (executar metas e planos). Além disso, elementos como controle de gastos, economia, planejamento e investimentos são fundamentais para que as pessoas desenvolvam uma relação madura e consciente com o dinheiro, possibilitando a realização de objetivos pessoais e a construção de independência financeira.
-
-
A Transfero desenvolveu em 2018 seu próprio ativo de mídia chamado Panorama Crypto, com o objetivo de fornecer informações transparentes e seguras sobre criptoativos. Essa estratégia permitiu que a empresa se posicionasse como autoridade no mercado, educando investidores sobre oportunidades e riscos do setor. O brand publishing também gerou ganhos adicionais em publicidade e assessoria de imprensa, além de ajudar a identificar clusters de audiência para melhorar a tomada de decisão estratégica do negócio.
-
-
Em um contexto onde a informação é abundante mas a desinformação e fake news proliferam nas redes digitais, o brand publishing se destaca como ferramenta essencial para práticas responsáveis de comunicação. Ao criar conteúdos educativos através de canais proprietários, as instituições financeiras conseguem transmitir informações com precisão, clareza e transparência, diferenciando-se da cacofonia de vozes presentes no ecossistema digital e construindo credibilidade junto ao público.
-
-
Instituições financeiras tradicionais como o Itaú já utilizam brand publishing através de hubs de conteúdo educativo, como o Inteligência Financeira. Com o avanço das plataformas digitais, dispositivos móveis e análise de dados, as empresas têm a oportunidade de se posicionar como think tanks do mercado, criando ativos de mídia que impactam mais pessoas e geram valor tanto em educação quanto em outras frentes como publicidade e assessoria de imprensa.