É possível gerar novas receitas com as mesmas audiências? Essa foi a pergunta central do quinto painel do Summit ANER, que reuniu Adriano Nogueira, CEO do O Otimista, Adriana Cury, do Brazil Economy, e Adal Viviani, da Hariot Consultoria de Marketing.
O evento, realizado nste dia 1º de outubro, na ESPM em São Paulo, se dedica a discutir modelos de monetização para o mercado editorial brasileiro.
Veja como foi o evento na íntegra:
Estratégias de conversão de audiência
Adriana Cury destacou a importância de compreender as necessidades específicas dos clientes para desenvolver estratégias eficazes de monetização. No Brazil Economy, site voltado para investidores e empresários, a abordagem se concentra em branded content e eventos segmentados.
“Não é só a pessoa se preparar para chegar num cliente, para você vender um branded content, você precisa saber quais são as necessidades do cliente e inclusive quais são os caminhos que esse cliente trilha”, explicou Cury durante o painel.
A executiva enfatizou que veículos com audiências menores, mas altamente qualificadas, podem explorar diferentes formatos: desde redes sociais impulsionadas até eventos com influenciadores do setor. O Brazil Economy trabalha com conteúdo exclusivo baseado em entrevistas com CEOs, diferenciando-se de concorrentes através da originalidade das informações.
Eventos como ferramenta de receita
Adriano Nogueira apresentou a experiência do Grupo Otimista, que diversificou suas fontes de receita através de eventos segmentados. A empresa realiza a Rodada Otimista de Negócios para o setor de alimentos, conectando toda a cadeia produtiva em dois dias de atividades.
O grupo também promove o Fórum OM Brasil, já em sua oitava edição, além de ações como o Praia Limpa Otimista e prêmios setoriais. Nogueira ressaltou que nem todos os eventos geram lucro imediato, mas funcionam como investimento na construção de relacionamentos e autoridade de marca.
“Tem eventos que o mesmo evento em questão de época diferente, você ganha muito e outro você reza para empatar”, admitiu o executivo, destacando a variabilidade dos resultados conforme o momento e interesse do público.
Desafios na monetização digital
Adal Viviani trouxe uma perspectiva crítica sobre as oportunidades perdidas pelos veículos de comunicação no ambiente digital. Segundo o consultor, muitos publishers apresentam propostas comerciais inadequadas e não conseguem aproveitar o potencial de monetização das plataformas digitais.
“A gente recebe propostas muito ruins, muito mal feitas, em que os veículos não conseguem fazer a venda correta do que faz”, observou Viviani. Ele destacou que a proximidade entre conteúdo e possibilidade de compra no ambiente digital representa uma oportunidade única para o setor.
O consultor defendeu que publishers devem focar na gestão estratégica de portfólio, entendendo o papel específico de cada plataforma e produto no mix de negócios. Alguns produtos podem não gerar receita direta, mas servem para viabilizar outras atividades comerciais.
Relacionamento como ativo comercial
Os participantes concordaram sobre a importância do relacionamento como diferencial competitivo. Nogueira mencionou um grupo de WhatsApp com 900 pessoas que representa “o PIB do Ceará inteiro”, incluindo governadores, prefeitos e empresários.
Adriana Cury complementou que empresas com poder de relacionamento podem criar oportunidades de negócio baseadas em conexões estratégicas. Ela citou o exemplo de eventos que funcionam como plataformas de networking qualificado, gerando valor através das conexões estabelecidas.
Tecnologia e inovação
O painel também abordou o uso de tecnologias emergentes para monetização. Cury mencionou ferramentas como inteligência artificial personalizada no Instagram e canais específicos no WhatsApp como oportunidades ainda pouco exploradas pelos veículos.
“Tem muita coisa que as empresas principalmente do nosso segmento ainda não exploram e acho que ainda vem muito pela frente para explorar”, afirmou a executiva, ressaltando a importância de manter foco nas iniciativas que fazem sentido para cada negócio.
Considerações sobre sustentabilidade
Viviani encerrou sua participação enfatizando que publishers não devem terceirizar a responsabilidade sobre seus negócios. Ele argumentou que, enquanto houver produção de conteúdo com credibilidade e presença em hard news, os veículos mantêm vantagens competitivas que a inteligência artificial não consegue replicar.
“Tendo um core, tendo um negócio nas mãos, tendo leitores, tendo fluxo no site, vocês têm um negócio na mão, não podem se conformar”, concluiu o consultor.
O painel demonstrou que a monetização de audiências existentes requer estratégias diversificadas, combinando produtos tradicionais com inovações tecnológicas e mantendo o relacionamento como elemento central das operações comerciais.
Saiba tudo sobre os outros painéis do Summit ANER
Dúvidas mais comuns
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Segundo o painel do Summit ANER, a monetização de audiências requer estratégias diversificadas que combinam produtos tradicionais com inovações tecnológicas. Os publishers devem focar em eventos segmentados, branded content, conteúdo exclusivo e relacionamento qualificado com sua audiência. A chave é compreender as necessidades específicas dos clientes e desenvolver propostas comerciais adequadas que aproveitem o potencial único do ambiente digital.
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Os eventos funcionam como ferramentas poderosas de monetização, conectando toda a cadeia produtiva de um setor e gerando receitas diretas e indiretas. Conforme apresentado pelo Grupo Otimista, eventos como a Rodada Otimista de Negócios e o Fórum OM Brasil não apenas geram lucro, mas também constroem relacionamentos e autoridade de marca. Nem todos os eventos geram lucro imediato, mas funcionam como investimento estratégico na construção de credibilidade e conexões comerciais.
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O relacionamento é um ativo comercial fundamental para publishers. Executivos do painel destacaram exemplos como grupos de WhatsApp com centenas de pessoas influentes e eventos que funcionam como plataformas de networking qualificado. Empresas com poder de relacionamento podem criar oportunidades de negócio baseadas em conexões estratégicas entre seus contatos, gerando valor através das conexões estabelecidas e não apenas do conteúdo.
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Muitos publishers apresentam propostas comerciais inadequadas e não conseguem aproveitar o potencial de monetização das plataformas digitais. Segundo Adal Viviani, consultor do painel, a proximidade entre conteúdo e possibilidade de compra no ambiente digital representa uma oportunidade única ainda pouco explorada. Publishers devem focar na gestão estratégica de portfólio, entendendo o papel específico de cada plataforma e produto no mix de negócios.
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Publishers com audiências qualificadas podem explorar branded content e conteúdo exclusivo baseado em entrevistas e informações originais. O Brazil Economy, por exemplo, diferencia-se através de conteúdo exclusivo com CEOs, criando valor agregado que justifica investimentos comerciais. Essa abordagem requer compreensão profunda das necessidades dos clientes e dos caminhos que eles trilham para tomar decisões de compra.
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Ferramentas como inteligência artificial personalizada no Instagram e canais específicos no WhatsApp representam oportunidades ainda pouco exploradas pelos veículos de comunicação. Segundo o painel, muitas empresas do segmento editorial não aproveitam plenamente essas tecnologias, deixando potencial de monetização sem explorar. É importante manter foco nas iniciativas tecnológicas que fazem sentido para cada negócio específico.
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Publishers que mantêm produção de conteúdo com credibilidade e presença em hard news possuem vantagens competitivas que a inteligência artificial não consegue replicar. Ter um core de negócio sólido, leitores engajados e fluxo consistente no site representa um ativo valioso que não deve ser negligenciado. Publishers devem assumir responsabilidade estratégica sobre seus negócios em vez de depender exclusivamente de terceiros ou tecnologias.
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Publishers com audiências menores, mas altamente qualificadas, podem explorar diferentes formatos de monetização de forma mais eficaz. A segmentação permite desenvolver estratégias específicas para cada nicho, desde redes sociais impulsionadas até eventos com influenciadores do setor. Compreender as necessidades específicas de cada segmento de audiência é fundamental para desenvolver propostas comerciais que gerem conversão e receita sustentável.