Ganhadora de 13 prêmios Emmy e com quatro temporadas de absoluto sucesso de audiência, “Succession” (HBO Max) é uma das séries indicadas para quem se interessa por mídia e, principalmente, pela transição midiática. Este paralelo entre a ficção e o mundo atual em que vivemos é traçado por Paulo Henrique Ferreira, sócio-fundador e Diretor Executivo da Barões Digital Publishing, em artigo recente publicado no Mobile Time.
Para PH Ferreira, a história que gira em torno da sucessão da Waystar Royco, um fictício conglomerado de mídia de âmbito global, é uma caricatura engenhosa para ilustrar a ruína do sistema de mídia (e empresarial) do século XX. É uma crônica das derrocadas que temos acompanhado nos últimos anos, sobretudo pela insistência em manter estratégias de gerações passadas.
“O que vimos, portanto, foi uma sequência de decisões desastradas que quebraram empresas gigantes no mundo todo, inclusive no Brasil. O motivo, tanto em Succession quanto na vida real, foi o mesmo: falta de reflexão com fundamento e profundidade; falta de análise séria e comprometida; falta de tempo e paciência para entender os reais impactos das transformações. Sobrou “inovação”, cultura de “start up”, oportunismo e comportamento aloprado, muito bem retratado na série pelo Lukas Matsson, um empreendedor digital maluco e desonesto. Igual a muitos que nos deparamos por aí, que fazem as organizações perderem tempo e dinheiro com discursos embusteiros e operações inconsistentes”, escreve o executivo da Barões.
A forma de consumir informação mudou. Muitos players de mídia ainda insistem em formatos “tradicionais” e não enxergam a transição midiática. E é neste ponto que o autor do artigo fala sobre o celular como a mídia protagonista de uma nova sociedade.
“Em vez de analisar o impacto de tal dispositivo no comportamento, hábitos e cognição humana, muitos insistiram em enfiar uma matéria de oito páginas de revista semanal num aplicativo lento e pesado. Ou uma propaganda que interrompe a experiência de um potencial cliente, com atores artificiais se empenhando em uma ladainha persuasiva – que ninguém mais aguenta”, afirma PH Ferreira.
O resultado, como destaca o executivo, não seria diferente: “esse tipo de análise frívola e sem lastro sobre o ambiente digital determinou – para o mal – a vida de organizações”.
“Tirando os dramas familiares, a tese midiológica é perfeita. Mostra velhos sem noção e distantes da realidade, em uma interlocução truncada com jovens mal preparados, todos com celular na mão de forma incessante, discutindo mídia, influência, poder e negócios como se estivessem nos anos 90”, diz o autor.
Leia o artigo na íntegra aqui.
Dúvidas mais comuns
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'Succession' é uma série que funciona como uma caricatura engenhosa da ruína do sistema de mídia do século XX. Através da história fictícia da Waystar Royco, um conglomerado de mídia global, a série ilustra como empresas gigantes quebraram por insistirem em manter estratégias de gerações passadas, falta de reflexão profunda sobre as transformações digitais e comportamentos oportunistas disfarçados de inovação.
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Segundo a análise apresentada, o fracasso de grandes empresas de mídia ocorreu pela falta de reflexão com fundamento e profundidade, falta de análise séria sobre os impactos das transformações, e pela insistência em manter formatos tradicionais sem compreender a mudança no comportamento de consumo de informação. Muitas organizações priorizaram discursos embusteiros de 'inovação' e 'cultura startup' em vez de análises genuínas do ambiente digital.
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O celular se tornou a mídia protagonista de uma nova sociedade, alterando fundamentalmente o comportamento, hábitos e cognição humana. No entanto, muitos players de mídia não compreenderam esse impacto e tentaram simplesmente adaptar conteúdos tradicionais para aplicativos, como inserir matérias de oito páginas de revista em apps lentos e pesados, ou propagandas intrusivas que interrompem a experiência do usuário.
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A crítica central é que a análise sobre o ambiente digital foi frívola e sem lastro, determinando negativamente a vida das organizações. Em vez de analisar genuinamente o impacto do dispositivo móvel no comportamento humano, as empresas apenas transpuseram formatos antigos para novos canais, criando experiências ruins que ninguém mais aguenta, como propagandas persuasivas artificiais e conteúdos mal adaptados.
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A série mostra velhos sem noção e distantes da realidade em interlocução truncada com jovens mal preparados, todos com celular na mão, discutindo mídia, influência, poder e negócios como se estivessem ainda nos anos 90. Esse retrato ilustra a desconexão entre gerações sobre como compreender e operar no novo ambiente midiático digital.
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A inovação superficial refere-se a comportamentos oportunistas e desastrados que priorizam discursos embusteiros sobre transformação digital sem análise real. Exemplificado na série pelo personagem Lukas Matsson, um empreendedor digital maluco e desonesto, esse tipo de abordagem faz organizações perderem tempo e dinheiro com operações inconsistentes e sem fundamento estratégico genuíno.
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'Succession' é recomendada porque sua tese midiológica é precisa ao retratar a derrocada do sistema de mídia do século XX. A série funciona como uma crônica das quedas de empresas gigantes que ocorreram nos últimos anos, ilustrando com precisão os erros estratégicos, a falta de compreensão das transformações digitais e os comportamentos corporativos que levaram ao colapso de conglomerados de mídia globais.