Na noite de 30 de junho de 2026, cerca de 500 pessoas se reuniram no Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, para a 19ª edição da cerimônia de premiação do Great Place To Work Rio de Janeiro. Das 191 empresas avaliadas, 60 foram reconhecidas. E a Barões Brand Publishing estava entre elas, avaliada como uma das melhores empresas pequenas (com menos de 100 funcionários) para trabalhar no estado, em sua primeira participação no ranking.
Para se qualificarem, era necessário que as empresas tivessem no mínimo 30 funcionários e CNPJ ativo no estado do Rio de Janeiro. No total, a pesquisa feita pelo Great Place To Work (GPTW) no Rio de Janeiro impactou cerca de 187 mil colaboradores entre as participantes.
O que a metodologia mede?
O ranking do GPTW não avalia benefícios, estrutura física ou pacotes de remuneração, pelo menos não como critério central. O coração da avaliação é o Trust Index, uma pesquisa de 60 perguntas respondida pelos próprios colaboradores das empresas que concorrem, com o objetivo de medir a experiência real vivida no dia a dia a partir de cinco dimensões:
- Credibilidade
- Respeito
- Imparcialidade
- Orgulho
- Camaradagem.
E para as empresas de pequeno porte, como a Barões, a nota se apoia integralmente nessa percepção direta. Não há como preparar a prova. E o que a pesquisa revela já existia antes dela.
Roberta Hummel, Líder de Ranking do GPTW, explica o que geralmente diferencia uma estreante premiada de uma que participa e não é reconhecida:
Empresas que estreiam já premiadas normalmente construíram intencionalmente um ambiente de alta confiança desde a fundação, em vez de tratá-lo como projeto corretivo posterior. A pesquisa apenas revelou algo que já existia.
Ela acrescenta um dado que contextualiza o feito:
Estrear premiada significa superar, na primeira tentativa, empresas que vêm refinando suas práticas há anos. Nos dados nacionais, isso não é trivial. Chegar ‘pronta’ é a exceção, não a regra.
O teste mais exigente de intencionalidade cultural
Há uma pergunta que qualquer pessoa de fora poderia fazer ao saber que uma empresa remota, sem sede física, com base no Rio de Janeiro, mas distribuída São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Belém, Curitiba e Montreal, foi premiada como um dos melhores lugares para trabalhar no estado do Rio: como se constrói cultura sem um espaço físico compartilhado?
A resposta curta é: com mais intenção, não com menos. Já a resposta longa está na metodologia. O Trust Index não mede escritório, mas relacionamento. E as cinco dimensões avaliadas são aferidas pela percepção do colaborador sobre sua experiência de trabalho, independentemente de onde ela aconteça.
“Os dados não mostram uma relação direta entre modalidade de trabalho e nível de confiança. O remoto, em si, não cria nem destrói um bom ambiente. Mas a relação inversa existe: sem confiança, o trabalho remoto simplesmente não se sustenta, degenerando em microgerenciamento, controle de presença e vigilância digital”, afirma Roberta Hummel.
Segundo a representante do GPTW, “quando uma empresa distribuída atinge um Trust Index alto, o dado carrega um significado adicional”.
“A confiança ali foi construída sem o apoio da convivência física, está ancorada em práticas e políticas construídas para essa realidade. É, talvez, o teste mais exigente de intencionalidade cultural que uma organização pode enfrentar”, diz Roberta.
Cultura de confiança
O ranking desta edição revelou um dado curioso: as empresas pequenas premiadas tiveram Trust Index médio de 92, contra 88 das médias e 87 das grandes. Mas ser pequeno não necessariamente é uma vantagem automática para uma empresa estar entre as melhores para se trabalhar.
“Ser pequeno não gera confiança automaticamente. Há empresas de 10 ou 50 pessoas onde a liderança é centralizadora, a comunicação é opaca e o ambiente é de baixa confiança. E nelas, a proximidade joga contra. Quando a relação com o fundador é ruim, não há camada intermediária que amorteça, e todo mundo sente diretamente. O tamanho reduzido amplifica o que a empresa já é, para o bem e para o mal”, explica Roberta.
O que o porte menor oferece, portanto, não é confiança. E sim uma menor complexidade para construí-la, por elementos como uma distância mais curta entre liderança e colaborador, comunicação sem intermediários e decisões explicadas na fonte. Mas se a intenção não existe, não há atalho de tamanho que a substitua.
É justamente aí que a Barões se enquadra. Com quase uma década de operação remota, processos editoriais construídos para funcionar sem presença física e uma equipe distribuída por dois países, o que o GPTW mediu não foi uma iniciativa pontual de clima organizacional. Foi o acúmulo de nove anos de escolhas de gestão.
O que o reconhecimento diz sobre o modelo de negócio
Há uma dimensão desse reconhecimento que vai além do clima interno. Uma empresa que constrói portais de conteúdo para marcas como Vale, Itaú, QuintoAndar e ENGIE, cuidando de toda a cadeia de publishing desde a plataforma até a distribuição e análise de métricas, precisa demonstrar que seus processos funcionam, que suas redações remotas entregam e que a consistência que prometem aos clientes existe também internamente.
O GPTW Rio de Janeiro 2026 é, entre outras coisas, um dado que sustenta essa narrativa. Uma empresa que não consegue construir confiança com suas próprias pessoas dificilmente constrói conteúdo confiável para as marcas dos seus clientes. O inverso também é verdadeiro.
Nesta edição, foram dez as empresas estreantes premiadas pela primeira vez em toda a história do ranking. A Barões é uma delas.