Ter ativo proprietário para entreter o público e garantir audiência. O Brand Publishing, já consolidado para o jornalismo, pode ser estratégia também para as marcas investirem não somente em conteúdos editoriais, mas também em cultura e entretenimento. 

Estudo mundial sobre criatividade

De acordo com o relatório “Creativity at a crossroads”, da Dentsu Creative, 86% dos CMOs ouvidos em nove países, incluindo o Brasil, identificam e concordam que as marcas precisam investir em entretenimento e conteúdo como estratégia para atrair consumidores e permitir que eles escolham ativamente como passar o tempo. Para eles, as marcas devem criar cultura e se dedicarem a construir os próprios públicos.

O mesmo estudo mostra ainda que 58% dos líderes entendem que a publicidade não traz diversão de forma suficiente. E reforçam a opinião de que anúncios são muito mais fáceis de serem ignorados e a importância em como entreter e envolver o público-alvo.

Tecnologia, comércio e conteúdo

A grande maioria dos CMOs (80%) considera que a tecnologia une o comércio e o conteúdo. 

“A capacidade de conectar entretenimento de classe mundial com a compreensão da mídia moderna e das jornadas dos clientes será uma vantagem significativa para as marcas com os recursos certos”, afirma a Dentsu. “Hoje eles estão investindo em plataformas que vão desde podcasts até programação para envolver públicos”.

O relatório utilizou dados da pesquisa com 700 CMOs e profissionais de marketing seniores nos EUA, Reino Unido, Austrália, Brasil, Canadá, China, Índia, Itália e Espanha.

A pesquisa mostra, mais uma vez, a transição midiática que vivemos e como os líderes devem estar atentos a ela.

Entretenimento: um novo modelo de negócio para as marcas

Para o ator Emílio Orciollo Netto, que já atuou em papéis de destaque na tv brasileira, como na novela Rei do Gado (1996) e Alma Gêmea (2005) e que recentemente interpretou o personagem Moreau, no filme “Ângela”, lançado em setembro deste ano, o Brand Publishing voltado a cultura e ao entretenimento é um novo modelo de negócio que precisa ser observado pelas empresas.

“Acreditamos que a pesquisa realizada reforça que as produções culturais podem estabelecer novos modelos de negócios, onde as marcas passam a ser investidoras e não apenas patrocinadoras. Elas se estabelecem na origem da produção, com critérios artísticos de qualidade, legítimos e com capacidade de alcançar grandes audiências e grandes setores”, afirma o ator, que até dezembro está em cartaz no Rio de Janeiro com a peça teatral “Muito Pelo Contrário”, às quartas e quintas, no Teatro dos 4, na Gávea (Ingressos aqui).

Para Paulo Henrique Ferreira, sócio-fundador e Diretor-Executivo da Barões Digital Publishing, esse movimento de usar o entretenimento como forma de comunicação é uma tendência “muito interessante” para as marcas.

“As marcas têm extrapolado as fronteiras do paid media para o owned media. Isso já acontece com Brand Publishing editorial, onde as marcas são donas de seus ativos de comunicação editorial e já existem experiências bem sucedidas na área de entretenimento, espetáculos e audiovisual”, afirma PH Ferreira.

Dúvidas mais comuns

Brand Publishing é a estratégia de comunicação que torna as marcas donas de seus próprios canais de mídia. A marca deixa de depender de veículos tradicionais de comunicação para falar diretamente com seu público através de sua própria plataforma. Essa estratégia já está consolidada no jornalismo e agora se expande para o entretenimento e a cultura, permitindo que as marcas criem conteúdo de qualidade que atrai e engaja consumidores.

Enquanto a publicidade tradicional é facilmente ignorada pelos consumidores, o brand publishing cria conteúdo de entretenimento e cultura que as pessoas escolhem ativamente consumir. Segundo pesquisa da Dentsu, 58% dos CMOs entendem que a publicidade não traz diversão suficiente. O brand publishing transforma as marcas em criadoras de cultura e construtoras de públicos próprios, em vez de apenas anunciantes.

De acordo com o relatório 'Creativity at a crossroads' da Dentsu, 86% dos CMOs em nove países concordam que as marcas precisam investir em entretenimento e conteúdo para atrair consumidores. As pessoas buscam ativamente como passar seu tempo, e o entretenimento oferece uma forma legítima de as marcas se conectarem com públicos maiores, estabelecendo relacionamentos mais profundos do que a publicidade tradicional consegue.

A tecnologia une o comércio e o conteúdo, permitindo que as marcas conectem entretenimento de classe mundial com a compreensão das jornadas dos clientes. Segundo a pesquisa, 80% dos CMOs reconhecem essa conexão. As marcas estão investindo em plataformas diversas como podcasts e programação audiovisual para envolver seus públicos de forma integrada e estratégica.

No brand publishing voltado à cultura e entretenimento, as marcas deixam de ser apenas patrocinadoras e passam a ser investidoras na origem da produção. Elas estabelecem critérios artísticos de qualidade legítimos e conseguem alcançar grandes audiências e diversos setores. Esse modelo permite que as marcas criem ativos de comunicação próprios no audiovisual, espetáculos e entretenimento, extrapolando as fronteiras do paid media para o owned media.

Branded entertainment, também conhecido como branded content, é uma ferramenta poderosa de comunicação publicitária que conjuga entretenimento com uma marca em diversos formatos, como TV, rádio, mídia impressa, internet, eventos ou espetáculos. Diferencia-se da publicidade tradicional por priorizar o valor de entretenimento, tornando o conteúdo algo que o público deseja consumir ativamente.

Envolver e entreter o público-alvo é fundamental porque as pessoas estão cada vez mais seletivas sobre como gastam seu tempo. O brand publishing reconhece que o entretenimento e a cultura atraem mais consumidores do que a publicidade convencional. Ao criar experiências de qualidade e conteúdo relevante, as marcas constroem relacionamentos mais autênticos e duradouros com seus públicos.