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Da publicidade para o mercado crypto: saiba quem faz Brand Publishing na Transfero Group

Amigos de infância e dois dos sócios-fundadores da empresa, Claudio Just e Guilherme Murtinho falam sobre transição de carreira e sobre o hub de conteúdo PanoramaCrypto

3 de maio de 2022

Por Paulo Henrique Ferreira e Raphael Crespo

Fundada em 2017 por brasileiros e com sedes em Zug (Suíça), o Crypto Valley suíço, e no Rio de Janeiro, a multinacional Transfero Group é pioneira em diversos aspectos no mercado de criptoativos brasileiro. E uma de suas ações de pioneirismo foi a criação, logo no ano seguinte do início da operação, do hub de conteúdo proprietário PanoramaCrypto como uma de suas principais ferramentas de comunicação e posicionamento no mercado. Entre os sócios-fundadores da empresa estão os cariocas Claudio Just (à esquerda na foto) e Guilherme Murtinho, com quem conversamos para a nossa série “Quem faz Brand Publishing no Brasil“. Os dois empreendedores, egressos do mercado publicitário, além de toda a inovação da empresa que ajudam a tocar, subvertem a máxima do “amigos, amigos, negócios à parte”. 

Além de fundadores, Claudio é Chief Business Development Officer (CBDO) da Transfero, enquanto Guilherme Murtinho ocupa o cargo de Chief Marketing Officer (CMO). E foram eles os responsáveis por iniciarem, lá no início de 2018, as conversas com a Barões Digital Publishing para o desenvolvimento do PanoramaCrypto.

Transfero: pioneirismo e autoridade no mercado de criptoativos

A Transfero Group é uma empresa de investimentos voltada para o universo de ativos digitais, que oferece serviços de gestão e administração de investimentos nesse universo, buscando fornecer aos investidores um atendimento diferenciado e uma maneira mais sofisticada de acessar essa nova classe de ativos. No Brasil, é pioneira em oferecer esse serviço, principalmente para atores institucionais. Inclusive, a empresa é criadora da Brazilian Digital Token (BRZ), primeira moeda estável (stablecoin) do país, pareada ao Real. 

Com o PanoramaCrypto, lançado no final de 2018, mas planejado desde o início daquele mesmo ano, a então recém-nascida empresa se tornou também uma marca publisher. O projeto tem o objetivo de gerar, curar e distribuir conteúdo factual e analítico sobre o universo crypto, com uma abordagem adulta e voltada para quem quer investir com seriedade nessa nova classe de ativos. Com publicações diárias em português e inglês, o hub busca levar ao leitor as informações mais relevantes desse mercado, com foco em regulação, inovação e nas novidades relativas às moedas digitais em si.

“As coisas foram acontecendo e crescendo com a Transfero. E entendemos que o caminho natural era o digital. A gente estava se metendo no meio de pagamento digitais, que é algo que já nasce global por natureza, descentralizado. Ou seja, é uma disrupção total no mercado. E vimos que o modelo tradicional de comunicação não ia funcionar. E eu acho que o Brand Publishing foi uma escolha perfeita, porque é um modelo novo, disruptivo, também totalmente descentralizado. E que bate perfeitamente com a filosofia que a gente quer implementar, que tem por natureza a parte de pagamento de criptoativos. Com o Brand Publishing, a gente pode comunicar o mercado como a autoridade sobre o assunto. Sem contar que quem pode falar melhor do nosso negócio do que nós mesmos, né? Acho que foi muito em cima desse discurso que a gente acabou abraçando a iniciativa. E, claro, isso foi um processo de maturidade que também precisou acontecer na empresa. Mas acho que ele aconteceu e vem acontecendo. Todos os dias a gente também aprende mais. E acho que hoje a gente já está colhendo os frutos e benefícios desse investimento que a gente fez lá no início de 2018, quando a gente iniciou o projeto do PanoramaCrypto”, diz Guilherme Murtinho.

Amizade, empreendedorismo e sociedade

Guilherme e Claudio se conhecem há mais de 40 anos e são amigos de infância. Já moravam no mesmo bairro quando pequenos, frequentaram algumas das mesmas escolas e até a mesma faculdade, apesar de não na mesma turma, por conta da diferença de idade – o segundo é um ano mais velho. Mesmo assim, os dois amigos circularam pela PUC do Rio de Janeiro pela mesma época e em cursos correlatos: Claudio se formou em Design Gráfico entre 1993 e 1998, enquanto Guilherme fez Desenho Industrial entre 1992 e 1996.

Antes de se tornarem sócios e entrarem pro mercado de criptoativos, Claudio e Guilherme trilharam caminhos relativamente parecidos ao longo de suas carreiras, com trabalhos em agências – inicialmente como empregados, e depois como donos de suas próprias empresas. 

“Eu já empreendia antes em várias coisas, desde garoto, tentando ter um pouco mais de liberdade financeira. Mas empreender de fato foi algo que eu comecei a fazer a partir de 2001 para 2002 com a Kaus. Eu trabalhava em numa empresa terceirizada que tinha uma uma operação na TIM. E ali é como terceirizado, eu vi uma oportunidade de de de atender a TIM com algo que a empresa onde eu trabalhava não entregava. E pensei que aquele poderia ser o primeiro momento de eu assumir uma parte do meu próprio negócio, entregando alguma coisa de mobile que estava boa bem no início na época. Então, a Kaus nasceu nesse dia. Eu pedi demissão, fiz um acordo com essa empresa onde eu trabalhava, continuei trabalhando com ela como Pessoa Jurídica, mas também passei a atender a TIM. Foram quase 12 anos como empreendedor, trabalhando para diversos grupos, grandes e pequenos, de diversos segmentos. Começamos primeiro como uma produtora web. E depois fomos migrando para a parte de publicidade, começando a atender links patrocinados, mídia, Facebook, criação de conteúdo em rede social. E foi aí que eu cheguei à parte mais publicitária do processo”, conta Claudio. 

Por sua vez, Guilherme se especializou em Projeto de Produto em sua graduação em Desenho Industrial e sempre trabalhou com design gráfico. Começou a estagiar em uma agência de comunicação, design e publicidade, gostou do mercado e ao terminar a faculdade, foi efetivado. Mas percebeu de cara que aquele não seria o seu caminho.

“Eu sempre gostei muito de ter controle da minha vida, de controlar o meu tempo de alguma e assim poder tomar as minhas decisões. E aí chegou um determinado momento em que eu vi que não ia ter muito para onde crescer na agência onde eu estava e resolvi abrir a minha própria agência”, lembra Guilherme, que empreendeu por alguns anos em uma agência própria de marketing esportivo e depois em outra com sua esposa.

Origem da Transfero Group

Ao longos de suas experiências como empreendedores, Claudio e Guilherme sempre mantiveram contato, inclusive indicando clientes um para o outro. Mas o desejo por mudar de rumos aconteceu após um almoço entre os dois em 2014.

“Eu volta e meia tinha contato com o Cláudio, colocava cliente meu para ele trabalhar na agência dele. Até que um dia perguntei o que ele andava fazendo. Ele me disse que estava desligando a Kaus e que estava de saco cheio. E eu falei: ‘eu também’. Eu já via a necessidade de partir para o mercado digital, porque a parte de impresso ia morrer naturalmente”, conta Guilherme.

Claudio já vinha fazendo movimentos para a criação da Start-IDP, junto a um amigo brasileiro que morava em Vancouver, uma empresa que tinha como objetivo acelerar novos negócios no Brasil, que seriam captados por ele e receberiam investimentos canadenses. No almoço de 2014, Guilherme embarcou prontamente na ideia. 

“Quando começamos a Start, aprendemos que o investidor canadense não é como o americano. Se a empresa não está no Canadá, ela não investe”, conta Claudio. 

Diversos projetos já haviam sido sondados no Brasil, mas diante da impossibilidade de trazer os investimentos canadenses para cá e a insegurança de mandar jovens empreendedores para o Canadá, o projeto começou a ser desfeito. Mas, mesmo assim, gerou frutos. Pois entre as empresas captadas estava a Bit.One, que viria a ser o embrião da Transfero.

“A gente foi se despedindo das empresas. Mas tinha uma que a gente tinha uma relação mais próxima com os sócios e que achávamos que teria um belo futuro, que era Bit.One. Eles eram processadores de pagamentos via bitcoin e se chamavam Bit Moedas”, lembra Claudio. 

A Bit.One tinha como fundadores Márlyson Silva e outros dois sócios, que chamaram Claudio e Guilherme para se juntarem a eles, assim como Thiago Cesar, sócio que entrou posteriormente e hoje é o CEO. Todos eles hoje fazem parte de uma empresa maior: justamente a Transfero Group.

Saiba quem mais faz Brand Publishing no Brasil


* Com produção de Rayan Trindade